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Polícia silencia sobre gravação de Izabela Jatene

De um lado, o Ministério Público Estadual demorando para tomar a iniciativa das investigações. Do outro, o Sistema de Segurança Pública do Estado simplesmente faz ouvido de mercador e finge que a história não é com ele. A cada dia que passa, sem um esclar

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De um lado, o Ministério Público Estadual demorando para tomar a iniciativa das investigações. Do outro, o Sistema de Segurança Pública do Estado simplesmente faz ouvido de mercador e finge que a história não é com ele. A cada dia que passa, sem um esclarecimento convincente, vai ficando mais difícil acreditar na versão divulgada pelo governo para tentar explicar o pedido feito por Izabela Jatene ao subsecretário de Fazenda, Nilo Noronha, para receber por e-mail uma lista com as 300 maiores empresas em atuação no Pará para “buscar o dinheirinho deles”, flagrado num grampo telefônico feito pela Polícia com autorização judicial.

Depois que se elegeu, Jatene nomeou Izabela Jatene para coordenar o Pró-Paz. Professora universitária, Izabela mora num prédio de alto padrão, com um apartamento por andar, num dos bairros mais nobres de Belém, o Umarizal, avaliado em R$ 1,5 milhão. A gravação revelada pelo DIÁRIO mostra que Izabela tem livre trânsito junto a autoridades que têm acesso ao sigilo fiscal de grandes empresas no Pará.

CPI

A gravação incomodou a Assembleia Legislativa, e o Ministério Público Estadual já recebeu representação pedindo investigação de Izabela Jatene protocolada pelo deputado estadual Edmilson Rodrigues (PSOL), mas até o fim da tarde de ontem a informação era de que o promotor a ser responsabilizado pelo caso ainda não havia sido designado. Além disso, o petista Carlos Bordalo na terça, 23, mesmo dia em que o MP recebeu a representação, apresentou pedido de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito na AL. O requerimento já recebeu oito das 14 assinaturas necessárias para a instalação. O parlamentar também deve convocar o titular da Fazenda, José Tostes Neto, e Nilo Noronha a prestar esclarecimentos na sede do Poder Legislativo.

“É preciso investigar profundamente essas práticas para desenhar, alcançar o tamanho desse esquema. E, para uma explicação mais rápida, vou convocar o secretário da Fazenda para vir imediatamente ao Legislativo prestar os primeiros esclarecimentos”, afirma Bordalo. “A sociedade já paga seus impostos, de repente vem a filha do governador, liga, pede o que quer, e depois vem o governador do Estado explicar como se não fosse nada de mais? Isso é ilegal! Se governo precisa de recursos, abra programas, chame a sociedade, faça as coisas de forma clara”, apontou o também deputado Waldir Ganzer (PT).

A gravação, divulgada com exclusividade pelo Diário do Pará, no domingo passado, foi periciada por um dos nomes mais respeitados do país no assunto, o professor doutor Ricardo Molina, da Unicamp, que confirmou sua veracidade. Na versão criada pelo Governo para tentar justificar o pedido de Izabela, aparece a versão não comprovada de que o “dinheirinho” que ela queria buscar seria para o Pró Paz. Entretanto, não há registros no balanço geral do Estado nos últimos três anos de nenhuma entrada de valores doados por empresas para o Pró-Paz, ou mesmo no Portal da Transparência.

Além disso, o que se vê no governo é a implantação da Lei do Silêncio sobre o caso, deixando sem respostas o questionamento de quem deu a ordem para que a gravação fosse apagada e a transcrição da conversa fosse excluída do processo. Na época, a Polícia investigava uma quadrilha que havia sequestrado um empresário em Mãe do Rio, da qual o gerente da fazenda de Nilo Noronha fazia parte. Ao ligar para o chefe, acabou fazendo com a polícia também grampeasse o telefone do subsecretário do Fisco Estadual.

“Se há gravação autorizada pela Justiça, esse áudio original tem que aparecer. Não é possível, não pode. São vários elementos perigosos para a democracia, são os recursos públicos que estão em jogo, e isso pede investigação rigorosa e urgente”, alerta
Edmilson.

(Diário do Pará)

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