Os bancários paraenses começam, na próxima terça-feira (25), uma greve geral por tempo indeterminado. A paralisação acontece a menos de duas semanas do Círio de Nazaré, uma das maiores festividades para as famílias do Estado, e próxima ao período de recebimento de salários e pagamento de contas, o que tem gerado preocupação em muitos usuários dos serviços bancários.
O servidor público estadual Marcus Vinicius Melo reclama que diversos serviços que necessitam de atendimento nos caixas das agências ficam prejudicados com as paralisações regulares da categoria. "Muita gente necessita de empréstimos consignados ou autorização bancária, e isso é conseguido através do gerente ou bancário credenciado para tal serviço. Se o cartão do banco também está com algum problema, por exemplo, o usuário fica prejudicado. No caso do Banpará, precisamos de autorização para fazer saques acima de R$ 2 mil também", conta.
A também servidora pública Lais Martins recebe o salário no atendimento do caixa, então terá que esperar o fim da greve dos bancários para receber o pagamento. Além disso, Lais acredita que a greve irá tumultuar ainda mais as filas de agências lotéricas e dos caixas eletrônicos.
"Para fazer pagamentos de energia elétrica e água, nós vamos ter que encarar as filas das casas lotéricas, que normalmente já são enormes. Mesmo as filas de caixas eletrônicos, durante as greves, é um exercício de paciência", comenta Lais.
Como as lotéricas se tornam umas das poucas opções para pagamentos, a tendência é que o tempo de espera nas filas chegue a duplicar. "Durante as greves, o atendimento aumenta até 50% que o período normal. As filas praticamente duplicam. O tempo médio de atendimento fica entre uma hora, uma hora e meia. Às vezes chega a até duas horas", relata Antônio Fonseca, dono de quatros agências lotéricas em Belém.
Antônio se queixa também do período que os bancários ficam paralisados. "Eles param entre o dia 30 de um mês e o dia 15 do mês seguinte, quando justamente são feitos os pagamentos".
GREVE
Em assembleia realizada na noite dessa quinta-feira (25), os bancários rejeitaram a proposta de 7% de reajuste no salário (0,61% de aumento real), na Participação nos Lucros e Resultados das empresas (PLR) e nos auxílios refeição, alimentação e creche, além de 7,5% no piso (1,08% acima da inflação), apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) em reunião com o Comando Nacional dos Bancários realizada no último dia 19, em São Paulo.
A categoria deve fazer nova reunião na segunda-feira (29) para organizar a paralisação que deve abranger todos os bancos do Estado do Pará.
(DOL)
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