O Instituto Evandro Chagas confirmou o primeiro caso da febre Chikungunya, já controlado, e mais dois outros suspeitos, possivelmente na capital e no município de Abaetetuba. O vírus é transmitido pela fêmea do mosquito da dengue, Aedes Aegypti. Os sintomas são similares aos da dengue, como febre, dor no corpo, na cabeça, vômito e cansaço. O diferencial são as intensas dores nas articulações dos pés, mãos, pulsos, joelhos e tornozelos. Na maioria dos casos, o paciente fica com o movimento das articulações comprometido.
De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), entre 2013 e 22 de setembro de 2014, foram registrados 10.850 casos, 729.00 suspeitos, e 113 mortes nas Américas. Em coletiva, na manhã de ontem, Pedro Fernando da Costa Vasconcelos, chefe da seção de Arbovirologia e Febres Hemorrágicas do Instituto Evandro Chagas, informou que há outros registros da doença no Brasil. Em Belém, a Chikungunya chegou por intermédio de um cidadão vindo da Guatemala. O diagnóstico foi dado no início de setembro. O vírus foi isolado.
Só em 2014, o Ministério da Saúde constatou 16 casos no Brasil. Dois no município de Oiapoque, no Amapá. Os 14 restantes, em Feira de Santana, na Bahia. “O Oiapoque faz fronteira com a Guiana Francesa. O fluxo de pessoas é grande. Há transmissão da doença na Guiana. Era de esperar que o vírus chegasse’’, diz Pedro. Segundo ele, os casos registrados na Bahia foram de pessoas que estavam fora do Brasil, foram picadas pelo mosquito e retornaram ao país.
O médico informa que as possibilidades de óbito são poucas. Entretanto, a doença pode deixar sequelas. Os idosos são os mais vulneráveis. Não há vacina e nem remédios específicos para o combate ao vírus. “São raras as mortes, mas elas ocorrem. Tem pessoas que ficam com sequelas, ficam com as mãos e dedos travados. Não há droga específica para o tratamento e nem vacina. Combatemos os sintomas através de antitérmicos e anti-inflamatórios’’.
Há dois tipos de diagnóstico, o virológico e o sorológico. No primeiro, os vírus ou componentes dele são isolados. A pessoa sente febre. Os médicos usam a técnica de Transcrição Reversa seguida de Reação em Cadeia da Polimerase (TR-PCR), em que é feita uma bateria de exames e o resultado sai em quatro horas. No diagnóstico sorológico, ocorre a coleta do sangue. Os médicos buscam os próprios anticorpos produzidos pelo organismo da pessoa infectada para combater o vírus.
Durante os cinco primeiros dias de infecção no ser humano, se o mosquito não portador do vírus picar a pessoa infectada, o inseto é contaminado pelo Chikungunya. A partir daí, ele está apto para transmitir a febre a outras pessoas.
PREVENÇÃO
Para o médico, a maneira de se prevenir é a mesma que as pessoas utilizam para evitar a dengue. “Se temos o Aedes Aegypti, então temos o risco de ter Chikungunya. O mesmo transmissor da dengue é o mesmo da febre, então os cuidados são iguais. Evitar formação de criadouros, cobrir os vasilhames de água parada. No período de chuvas, as possibilidades da doença aumentam’’, frisa.
Pedro Fernando enfatiza que o Ministério da Saúde, em parceria com as secretarias de saúde do município, do estado e o Instituto Evandro Chagas, referência nacional em doenças exóticas, tem atuado fortemente nas fronteiras do país e nas localidades de incidência do vírus, para que seja detectada e controlada a doença, no tempo mais hábil possível.
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(Diário do Pará)
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