Em uma metrópole cada vez maior, aonde a vida moderna vai desgastando os costumes, tradições seculares ainda resistem. Hoje é dia de meninos e meninas passearem pelas ruas dos bairros de Belém, indo, de casa em casa, à procura de doces. O enredo lembra a festa de Halloween. No entanto, para comemorar o dia dos santos gêmeos Cosme e Damião, não é preciso vestir fantasias ou se expor aos perigos da noite.
Pirulitos, bombons de leite e “geladinhos” estão entre as guloseimas mais ofertadas pelos devotos dos santos gêmeos, que homenageiam ou pagam promessas.
Bairros como a Cremação, Terra-Firme e Telégrafo mantiveram a tradição e várias crianças preservaram o encanto da infância na manhã deste sábado.
HISTÓRIA
Sabe-se que os gêmeos Cosme e Damião foram martirizados na Síria, num período anterior ao século V. Segundo o professor de Ciência da Religião da UEPA, José Mangoni, é difícil precisar datas ou acontecimentos a respeito da vida dos dois. “São conhecimentos que são passados mais pela tradição oral. A grosso modo, podemos dizer que eles eram curandeiros. Eles trabalhavam com a questão da saúde e, em suas frases, sempre que operavam uma cura, evocavam o nome de Jesus. Daí a Igreja Católica os ter beatificado depois”, explica.
No Brasil, o culto aos santos se misturou às religiões de matriz africana. Nelas, Cosme e Damião são associados aos orixás gêmeos conhecidos como “ibejis”, entidades amigas das crianças capazes de realizar pedidos em troca de doces. De acordo com o professor Mangoni, é comum a referência de símbolos católicos em religiões afro, por conta da riqueza cultural e do sincretismo religioso brasileiro. “É muito provável que o costume de distribuir doces venha daí. Nas religiões afro-brasileiras, há sempre uma relação de troca. Cada orixá intercede em troca de uma comida, um presente, e cada um tem seu alimento, sua cor preferida. No caso dos gêmeos, a preferência é pelos bombons”, esclarece.
Segundo o acadêmico, é importante não esquecer o caráter religioso contido no dia. “As tradições acabam perdendo o significado porque o mercado se apropria disso para transformá-las em lucro. Hoje, por exemplo, quem se beneficia são as lojas de bombons. Ainda assim, há quem trabalhe para manter viva a tradição. Muitas pessoas fizeram promessa, tiveram a cura atendida e, agora, distribuem doces como uma forma de gratidão”, afirma Mangoni.
(DOL, com informações Diário do Pará)
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