Já chegam a nove o número de assinaturas ao requerimento que pede a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa para investigar os crimes que podem ter sido cometidos pela filha do governador e pelo sub-secretário da Secretaria da Fazenda do Estado. A denúncia que levou o deputado petista Carlos Bordalo a pedir a abertura de CPI foi divulgada pelo DIÁRIO no último domingo, 21, quando revelou o áudio de um grampo telefônico feito pela Polícia Civil com autorização judicial, e que flagrou uma conversa entre Izabela Jatene, filha do governador Simão Jatene, e o subsecretário de Estado da Fazenda, Nilo Noronha. Na gravação, Izabela Jatene pede para que Nilo envie, para o seu e-mail pessoal (izabelajatene@gmail.com), a lista das maiores 300 empresas do Estado. Com uma intimidade incomum para o assunto tratado, Izabela ainda justifica que a lista seria para “buscar esse dinheirinho deles”.
Veja aqui algumas perguntas do caso que não foram respondidas.
Confira aqui a transcrição da gravação da Polícia Civil.
Confira o vídeo com a gravação.
ADESÕES
Bordalo apresentou o requerimento na terça-feira, dia 23, e no mesmo dia, apesar de poucas presenças no plenário - apenas 17 registros no painel eletrônico, quando a AL conta com 41 deputados-, conseguiu oito assinaturas das 14 necessárias para a instalação da CPI. Na sexta-feira, mais um deputado aderiu ao pedido para investigar o escândalo.
Desta vez foi a deputada Simone Morgado, do PMDB. Antes dela, assinaram Nilma Lima e Chicão, do mesmo partido; Edmilson Rodrigues, do PSOL; Nélio Aguiar, do DEM; Chico da Pesca, do PROS; Bernadete Ten Caten, Waldir Ganzer e o próprio Bordalo, todos do PT. A expectativa deste último é de coletar as assinaturas restantes para dar entrada no processo de instalação da CPI.
TRÁFICO DE INFLUÊNCIA
Na mesma data, Edmilson Rodrigues protocolou junto ao Ministério Público Estadual um pedido para que a denúncia seja investigada também pela promotoria, mas até sexta-feira, três dias após o protocolo, não havia ainda promotor designado para investigar o caso. No documento, Edmilson reforça a importância de investigar a possibilidade do tráfico de influência na Sefa, mencionando ainda outra denúncia feita pelo DIÁRIO, igualmente grave: a de que o Sistema de Segurança Pública do Estado do Pará teria ordenado que o áudio da gravação original, feito em 2011, fosse apagado para proteger Izabela. Há quatro dias a reportagem pede posicionamento da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup) sobre o assunto, mas o que impera no órgão é a lei do silêncio determinada pela alta cúpula do governo.
GRAMPO COM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL REVELOU ESCÂNDALO
O diálogo entre Izabela Jatene e o subsecretário da Sefa, Nilo Noronha, foi flagrado quando a Polícia Civil investigava um caso de sequestro de um empresário em Mãe do Rio, em 2011.
O gerente de uma fazenda de Nilo Noronha estaria envolvido no caso. Com telefone grampeado, o gerente ligou para o patrão (Nilo), que acabou tendo também seu celular monitorado: a polícia não sabia de quem se tratava. Só soube quando captou a conversa dele com Izabela Jatene, na qual ela pede a lista das 300 maiores empresas do Pará “para ir buscar um dinheirinho deles”.
Conforme adiantou o DIÁRIO na sua edição de domingo, 21 de setembro, uma ‘operação abafa’ foi montada para sumir com a transcrição do inquérito e apagar a gravação. Uma cópia do áudio, porém, foi preservada e entregue ao DIÁRIO.
Na terça, o DIÁRIO publicou o resultado de laboratório de perícia que atesta a vericidade da gravação
Confira o laudo com resultado da perícia.
(Diário do Pará)
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