A decisão do Ministério da Agricultura deveria trazer de volta a normalidade do comércio de pescado e, por isso, deu novo alento à indústria nacional. A alegria, porém, durou pouco, ou pelo menos vai ter que esperar mais algum tempo para se justificar. Por falta de fiscalização minimamente eficaz, já se sabe que alguns distribuidores persistem nas práticas ilegais, importando e comercializando dentro do Brasil – e do Pará, obviamente – produtos de baixa qualidade, com glazing em excesso e níveis elevados de fosfatos.
O glazing, convém esclarecer, é uma prática muito conhecida, que consiste na camada de gelo que aparece nos peixes durante o processo de refrigeração. A aplicação possui restrições normativas de espessura máxima. Ou seja, é permitida e até recomendada como fator de proteção, mas desde que corresponda a no máximo 20% do peso e seja indicada ao consumidor. A adição de tripolifosfato de sódio, por sua vez, consiste em injetá-lo no peixe para induzir uma maior absorção de água, o que também aumenta o peso do filé.
Em alguns casos, esses procedimentos chegam a aumentar em até 50% o peso do pescado. Além de afetar a qualidade, por comprometimento do sabor do peixe, essas práticas ilegais trazem outros malefícios. Os técnicos garantem que o uso de fosfatos não causa danos à saúde – mas não negam que causa danos consideráveis ao bolso do consumidor. Já as indústrias brasileiras, com altos custos de produção, severamente fiscalizadas e impedidas de adicionar produtos químicos, simplesmente não têm condições de competir com o peixe importado. É para compensar essas desvantagens que estão se multiplicando as práticas fraudulentas.
O presidente do Sindicato das Indústrias de Pesca do Estado do Pará, Armando Burle, que também preside o Conselho Nacional de Pesca e Aquicultura (Conepe), sustenta que o setor aprova a legislação brasileira, mas alerta que precisa haver fiscalização, sem o que ela se tornará inócua. Segundo Armando Burle, a indústria brasileira produz um pescado de excelente qualidade, mas não tem como competir com o produto importado e com as fraudes por ele induzidos no comércio nacional. Só no Pará, segundo o presidente do Conepe, o setor emprega em torno de 200 mil pessoas.
(Diário do Pará)
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