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Troca de espécies é muito comum, avisa fiscal

O veterinário Francisco Aguiar, fiscal federal agropecuário lotado na Superintendência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em Belém, conhece de perto as fraudes que permeiam o comércio de pescados, no Brasil e no Pará. Em abril deste

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O veterinário Francisco Aguiar, fiscal federal agropecuário lotado na Superintendência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em Belém, conhece de perto as fraudes que permeiam o comércio de pescados, no Brasil e no Pará. Em abril deste ano, ele integrou uma força-tarefa que, com ajuda da Polícia Federal e reunindo técnicos de vários Estados, fez uma grande operação em Santa Catarina, onde várias indústrias foram autuadas.

Um mês depois, já de volta a Belém, Francisco Aguiar participou, pelo Ministério da Agricultura, de uma operação de que tomaram parte também outras instituições de fiscalização e defesa do consumidor. No bairro do Guamá, o grupo localizou e autuou um distribuidor que atuava clandestinamente. Peixe importado, em pequenas bandejas que iam para o comércio, eram vendidos como se fosse peixe regional. Havia produtos vencidos, acondicionados inadequadamente e sem qualquer inspeção sanitária. Nessa operação foram apreendidos e incinerados cerca de 4.500 quilos de camarão, importados do Nordeste e considerados impróprios para consumo.

Francisco Aguiar divide com uma única colega a responsabilidade pela fiscalização de 24 indústrias registradas no Pará, somente na área de pescado. Embora sobrecarregado, o Serviço de Inspeção e Saúde Animal da Superintendência do Mapa no Pará age quando provocado, por denúncia ou reclamação de consumidores ou estabelecimentos que se sintam prejudicados. Essa é uma responsabilidade compartilhada em parte com a Adepará, mas ele lamenta a não existência, tanto em Belém quanto em Ananindeua, de um serviço de inspeção municipal.

O técnico do Ministério da Agricultura diz que a polaca, vinda do Alasca, é muitas vezes vendida no Brasil como sendo pescada branca ou mesmo merluza – esta, uma espécie também importada, mas da Argentina. Já o panga, de origem vietnamita, substitui uma grande variedade de peixes nacionais, como o linguado, a pescada amarela e, no Pará, diversas espécies da família dos bagres, como a piramutaba, a dourada e até a gurijuba.

No Pará, segundo Francisco Aguiar, os pequenos supermercados e algumas lojas de vendas por atacado vendem o panga em bandejas como dourada, pescada gó, pescada branca e até pescada amarela. Nas grandes cadeias de supermercados, mais rigorosos com o quesito qualidade, as fraudes são menos comuns, mas nem assim desaparecem de todo. A troca de espécies por outras de maior aceitação pelos consumidores – como piramutaba por dourada, por exemplo –, já foi constatada numa grande rede supermercadista de Belém.

Essa prática é muito mais comum no comércio de peixes para o Nordeste, em que a corvina, por exemplo, é corriqueiramente transformada em pescada amarela e a uritinga é vendida como surubim. É a maneira que o mercado encontra para adequar seu produto às preferências do consumidor. Por esta mesma razão, o bagre, o cangatá e o cambeua, todos típicos do nosso litoral, vão para o mercado nordestino como sendo “rosado”, inexistente no Norte do Brasil.

(Diário do Pará)

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