Passou o tempo em que era necessário acordar de madrugada, sair de casa, ir para uma fila em frente ao hospital ou posto de saúde, e aguardar para conseguir ficha de consulta médica. Agora, chegar durante a madrugada não é mais suficiente. Quem precisar de atendimento tem que começar a sentinela na tarde do dia anterior a consulta, passar a noite e toda a madrugada em frente à unidade de saúde, até o dia clarear.
Tudo para não correr o risco de ficar sem atendimento. Foi exatamente o que fez Silvio Luciano de Moura, 25, desempregado. Para conseguir a consulta da mãe com um neurologista, ele ficou das 15h de quinta-feira em frente ao Hospital Ophir Loyola até a manhã de sexta-feira, 3. Passou a madrugada de ontem deitado num papelão. A mãe, Eramildes Aguiar de Moura, 43, desempregada, está com um cisto na garganta. Há dois meses espera o retorno com o médico. Mas a dificuldade é grande em se consultar.
“Se a gente quer ser consultado, tem que vir cedo”, diz.“Os funcionários aparecem de madrugada. Pegam o nosso nome e dizem que a gente pode voltar pela manhã que a consulta estará marcada. Fizeram isso uma vez. Quando retornamos ao hospital pela manhã, tivemos que voltar para casa porque já tinha gente na nossa frente. A gente dormindo aqui tem a certeza que vai ser atendidos”, ressalta Silvio.
É a terceira sexta-feira que a doméstica Neuza Chaves, 34, tenta pegar ficha para consulta de um parente de Colares. Ela diz que mais uma vez não conseguirá por causa do número de pessoas que estão na frente dela na fila e o número de fichas para consulta é reduzido. Neuza lamenta. “Até a gente conseguir um médico, a doença se agravou.
”Depois das 5h, funcionários do Ophir permitiram a entrada na sala de atendimento, das pessoas que aguardavam na fila do lado de fora do Hospital. “Eles só fizeram isso porque a imprensa está aqui. Porque quando não tem ninguém a gente padece do lado de fora. Isso é só para enrolar, porque eles só vão distribuir as fichas lá pras 7h’’, reclama a garçonete Samia Cristina, 34 anos.
Emergência de madrugada é balela
Por volta das 5h30, o padeiro Fabrício Ribeiro Ferreira, 30, procurou o posto de saúde da Pedreira após sofrer um profundo corte na mão. Ele sentia fortes dores. Foi informado pelo segurança do posto de que não havia enfermeiros no momento e o atendimento de urgência e emergência não poderia atender. O ferimento sangrava muito. Fabrício saiu às pressas para tentar socorro em outra unidade.
Em nota enviada ao DIÁRIO, a assessoria de imprensa do Ophir Loyola explicou que é um dos executores da Rede Credenciada de exames de média e alta complexidade conveniado ao município, e apresenta recepção de alta demanda na marcação de exames vinda dos Departamentos de Regulação (Deres) municipais. "No entanto, há cotas definidas para a marcação de exames em todos os executores".
O hospital ressalta ainda que, dos usuários que vêm marcar exames no HOL quando as agendas são abertas, 70% são encaminhados pelo Dere/ Sesma ( demanda externa), oriundos até mesmo de outros Estados como o Amapá e Maranhão. O restante de fato é das áreas referenciadas do hospital (oncologia, neurocirurgia, transplantes e fissurados).
(Diário do Pará)
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