O Ministério Público vai criar uma força tarefa para fazer uma varredura nos contratos de compra de combustíveis para as frotas de veículos da Polícia Militar e Corpo de Bombeiro do Pará. O grupo será comandando pelo promotor Armando Brasil e terá a presença do promotor Nelson Medrado do Núcleo de Combate à Improbidade Administrativa e à Corrupção (NCIC).Os trabalhos começaram ontem e devem durar 90 dias.
O objetivo é apurar as denúncias de corrupção envolvendo Beto Jatene no fornecimento de combustível para veículos do Estado. Para isso, serão ouvidas testemunhas, analisados contratos e pagamentos e periciadas imagens que mostram carros da frota oficial abastecendo nos postos do filho do governador. A denúncia de que Beto Jatene está se beneficiando de negócios feitos por suas empresas com o governo do pai veio à tona na última terça-feira quando o candidato ao governo pelo PRTB indagou Jatene sobre a legalidade da contratação dos postos do filho.
No debate, o próprio Jatene admitiu que os carros oficiais podiam abastecer em vários postos usando o cartão de débito, o que significa que o dinheiro sai dos cofres públicos diretamente para a conta dos estabelecimentos, entre eles, os postos de Beto Jatene, em uma relação no mínimo, imoral entre negócios públicos e privados e em família.Na quarta-feira, moradores da área continuaram flagrando cenas das relações entre as empresas privadas de Beto e governo de Jatene.
A redação do Diário On Line recebeu imagens de viaturas do Corpo de Bombeiros abastecendo na rede de postos do filho de Jatene, revelando que os negócios de pai para filho continuaram mesmo depois de virem à tona. As novas imagens, feitas num período curto do dia mostram pelo menos duas viaturas abastecendo no momento do flagrante.De acordo com registros da Junta Comercial do Pará (Jucepa), Beto Jatene é sócio de pelo menos três postos de gasolina, comprados em datas distintas.
O primeiro, Autoposto Verdão, em junho do último ano em que Jatene governava o Estado pela primeira vez. O segundo, o posto Umarizal, foi comprado oito meses depois do primeiro. E o terceiro, o posto Girassol, foi adquirido três meses depois do pai ter assumido o atual mandato. Todos, contudo, foram adquiridos por valores declarados muito abaixo dos praticados pelo mercado, o que pode caracterizar sonegação fiscal. O Posto Verdão, por exemplo, que em 2007 faturou mais de R$ 7 milhões, foi comprado por Beto e seu sócio Eduardo Simões por incríveis R$ 25 mil em 2006, conforme contrato social registrado na Jucepa.
No documento onde está registrada a entrada de Beto na sociedade junto com Eduardo não constam ativos como equipamentos, benfeitorias, estoques e outros. Ali está registrada uma simples transferência de quotas, cujo valor unitário foi de R$ 1 cada. A mesma operação foi repetida em 2007 na aquisição do Posto Umarizal, do qual também participa Ricardo Souza, cunhado de Beto e marido de Izabela. Ricardo é chefe de gabinete da presidência do TCM, onde recebe pouco menos de R$ 20 mil mensais. E também na compra do Posto Girassol em 2011. Os especialistas em mercado de distribuição de combustíveis avaliam que somente o Posto Verdão valeria R$ 5 milhões.
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(Diário do Pará)
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