Vai faltar promotor no Ministério Público Estadual para investigar tanta suspeita de corrupção, tráfico de influência e irregularidades dentro do governo Jatene nos últimos quatro anos. Só nos últimos 15 dias foram nada menos que três graves denúncias - uma delas divulgada com exclusividade pelo DIÁRIO - envolvendo o candidato à reeleição e seus familiares em situações de tráfico de influência e uso de dinheiro público para despesas pessoais.
Depois do escândalo envolvendo o nome da filha, Izabela Jatene, no último debate televisionado entre os candidatos a governo do Estado, na terça-feira, dia 30 de setembro, dois dos concorrentes presentes se voltaram ao tucano para falar, primeiro sobre uma viagem realizada pelo governador em 2011, na companhia da esposa, usando um avião do governo, e que incluiu uma “esticada” de quatro dias em um resort luxuoso onde um dos pontos altos é a... pescaria; e depois sobre a estreitíssima relação entre Beto Jatene, filho de Simão e dono de postos de gasolina, e a frota de carros do governo, que sempre aparecem para encher o tanque em alguma das três unidades de propriedade do herdeiro.
Marco Carrera, candidato do PSOL, quando teve a chance de fazer uma pergunta a Jatene, denunciou que, de acordo com documentos que tinha em seu poder, em agosto de 2011, o governador, acompanhado da esposa e mais dois ajudantes, viajou para a Serra do Cachimbo, no MS, para o que seria um compromisso de governo com duração de dois dias, mas no primeiro dia de setembro seguiu viagem para Thaimaçu, dessa vez em uma segunda aeronave, menor, mas com tudo pago pelo erário público. No dia seguinte ao debate, o psolista deu entrada em pedido de investigação pelo MP-PA. “Se for comprovado que tudo isso foi mesmo feito com aeronave e funcionários do Estado, trata-se de um ato de improbidade pública que pode gerar uma Ação Civil Pública contra o governador”, justificou Carrera.
A pousada foi construída por empresários locais em parceria com o governo do Estado do Pará e, apesar de ser no meio de uma Reserva Estadual de Pesca Esportiva - um hobby que só pode se dar ao luxo tendo muito dinheiro para bancar -, dispõe de todo o conforto, luxo e modernidade que se pode imaginar. Água quente, suítes espaçosas e bem equipadas, internet, cardápios de comidas e bebidas finas e variadas estão dentre algumas das caras e maravilhosas opções oferecidas no resort.
Ainda antes da metade do debate, mais uma denúncia. O candidato Elton Braga, do PRTB, trouxe à público um burburinho que há muito tempo já se ouvia nos bastidores da política estadual: a de que os carros oficiais do governo são praticamente clientes preferenciais dos postos de gasolina que tem o filho do governador, Beto Jatene, como sócio. Eles seriam pelo menos três, e com faturamento estimado em mais de R$ 21,6 milhões. Os veículos oficiais são abastecidos mediante pagamento com cartões de débito diferenciados, com o timbre do governo do Estado, aceitos em quaisquer postos conveniados a esse sistema. Ou seja, é dinheiro público caindo automaticamente na conta do filho do governador.
Aparentemente desenvolto nos negócios, Beto ainda é, ou foi, sócio dos badaladíssimos bares Ventura e outros negócios da noite, mora em um apartamento avaliado em cerca de R$ 1, 5 milhão - nada mal para quem é advogado com registro na OAB, mas que não atua, visto que uma busca rápida pela internet nos processos do Tribunal de Justiça do Estado e na Justiça Federal da I Região não acusam a participação dele como profissional da lei em qualquer processo.
Resumindo a ópera, Simão Jatene pode encerrar seu segundo mandato esfregando na testa da população o quanto é rentável a carreira política para si próprio e seus familiares, que acumulam uma fortuna estimada em R$ 30 milhões - levando em consideração que, em muitos de seus professorais discursos, não foram poucas as vezes em que ele falou de ética e honestidade.
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(Diário do Pará)
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