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Pé de Boto é solto e povo tem medo

O prefeito de Igarapé-Miri, Ailson Santa Maria do Amaral, conhecido como “Pé de Boto”, preso desde 16 de setembro, foi solto por decisão do desembargador Rômulo Nunes, do Tribunal de Justiça do Estado, por entender que não havia mais necessidade de o pref

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O prefeito de Igarapé-Miri, Ailson Santa Maria do Amaral, conhecido como “Pé de Boto”, preso desde 16 de setembro, foi solto por decisão do desembargador Rômulo Nunes, do Tribunal de Justiça do Estado, por entender que não havia mais necessidade de o prefeito, acusado pelo Ministério Público de comandar um grupo de extermínio, além de outros crimes no município, estar preso.
A notícia da liberação de Pé de Boto causou preocupação entre os moradores de Igarapé-Miri.

O prefeito foi preso durante a operação “Falso Patuá” desencadeada pelo Polícia Civil do Pará depois que o Ministério Público, com autorização da justiça, cumpriu mandado de prisões e busca e apreensões no município. Pé de Boto é acusado de pelo menos 13 homicídios registrados desde que assumiu o cargo em janeiro de 2013, inclusive elevando a onda da violência em patamares absurdos.

O prefeito, que saiu da cadeia no fim da tarde de ontem, prometeu reassumir o mandato no município. No entanto, o procurador de justiça Nelson Medrado, que foi um dos responsáveis pela investigação, informou que o Ministério Público vai solicitar um novo pedido de prisão, por entender que Pé de Boto é um criminoso de alta periculosidade.

O procurador também questiona a volta de Pé de Boto à administração de Igarapé-Miri, pois acredita que, com o poder nas mãos, o prefeito pode colocar em risco a vida de testemunhas, além de tentar procrastinar o processo que vai responder agora em liberdade.

Além do prefeito, foram presos durante a operação “Falso Patuá” o secretário municipal de Obras, Ruzol Gonçalves, os dois filhos dele, Renato e Rafael Gonçalves, dois seguranças particulares do prefeito e quatro policiais militares que, para o MP, faziam parte do braço armado do prefeito e recebiam entre R$2 mil e R$5 mil para fazer as execuções.

Além dos crimes contra a vida, o prefeito “Pé de Boto” responde por crimes contra a administração pública depois que o Ministério Público descobriu uma rede de “maracutaias” que tinha como chefe do bando o prefeito no desvio de recursos da prefeitura.

Quando foi preso, Ailson cuidava da campanha do governador Simão Jatene, a quem apoiava no município e de quem recebia apoio recíproco. “Pé de Boto” foi recebido várias vezes por Jatene, tratando da campanha eleitoral do candidato do PSDB, e gostava de ser chamado de “coordenador de campanha no Baixo Tocantins”.

A relação com o governador Simão Jatene é desde os tempos de campanha para a prefeitura de Igarapé-Miri, quando Jatene gravou um vídeo hipotecando apoio incondicional a “Pé de Boto”, afirmando que ele era o candidato dele em Igarapé-Miri.

(Diário do Pará)

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