Realidade em alguns Estados brasileiros, o atendimento odontológico nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) no Pará é um desafio. Determinado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em fevereiro de 2010, o trabalho integrado de profissionais da área da saúde nas unidades, entre eles os cirurgiões-dentistas, é obrigatório para evolução do quadro, prevenção e no tratamento dos pacientes.
Com a recente falta de cirurgiões-dentistas especializados para trabalhar nas UTIs dos hospitais, hoje no Pará dificilmente são encontrados esses tipos de profissionais nos centros de recuperação. “Antes as pessoas pensavam em UTIs quando o paciente estava próximo da morte. Mas isso não é uma verdade. As unidades são de tratamento intensivo para recuperação do paciente e, por isso, foi determinado que diversos profissionais atuassem na área. No Estado, nós não tínhamos profissionais com a especialidade, mas esse ano já tem”, explicou Rosely Cavaleiro, presidente da Comissão de Odontologia Hospitalar do Conselho de Odontologia.
Para mudar esta realidade, em julho de 2013, mais de 30 profissionais se habilitaram para compor a equipe multidisciplinar nas UTIs e mais 28 se especializarão até novembro deste ano. “Devemos atuar em todos os hospitais, para cumprir o Artigo 21, que prevê que os pacientes devem ser atendidos por um dentista enquanto estiverem na UTI. Isso é também uma questão de escolha, aos que estiverem conscientes, ou com a permissão da família”, disse Rosely.
Os hospitais públicos e particulares já foram notificados de que atualmente no Pará já é possível encontrar especialistas. “Já mandamos 55 ofícios para os hospitais que têm UTIs e para os secretários de saúde estadual e municipal informando que já há profissionais. A população deve ter conhecimento e exigir os seus direitos. Os planos de saúde que não oferecem o serviço e os hospitais públicos podem ser acionados e responderão na ANS (Agência Nacional de Saúde) e no Ministério Público”, comentou Rosely Cavaleiro.
Cuidados odontológicos dos pacientes críticos são básicos para manter a saúde bucal e promover o bem-estar. Além disso, o serviço ajuda a prevenir infecções hospitalares sistêmicas relacionadas ao sistema estomatognático, em especial as respiratórias, que prejudicam a recuperação do paciente. A disseminação oral pode afetar a recuperação do paciente, já que a boca é um canal para a entrada de bactérias.
(Diário do Pará)
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