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Zenaldo não dá motivos para festejar aniversário

O distrito de Icoaraci, também conhecido como a “Vila Sorriso”, completa hoje 145 anos de fundação. O palco já está montado na orla da Praia do Cruzeiro, tudo para comemorar a data festiva. Mas, de fato, não há muito o que festejar, pois o que a população

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O distrito de Icoaraci, também conhecido como a “Vila Sorriso”, completa hoje 145 anos de fundação. O palco já está montado na orla da Praia do Cruzeiro, tudo para comemorar a data festiva. Mas, de fato, não há muito o que festejar, pois o que a população do distrito mais anseia é por um olhar voltado aos problemas e à situação de abandono enfrentada por quem vive ali.

Os problemas listados pela população são muitos. Entre eles estão a insegurança e a falta de infraestrutura em diversas áreas do distrito. São praças abandonadas, ruas sem pavimentação e rede de esgoto, locais como o bairro do Paracuri, que padecem com os constantes alagamentos e casarões antigos, como o Chalé Tavares Cardoso, a antiga biblioteca pública de Icoaraci e a Casa do Poeta Antônio Tavernard, que foram esquecidos e encontram-se totalmente deteriorados.

“Tem esse terreno que é um casarão tombado, onde funcionava uma biblioteca, e a Casa do Poeta, que é até estudado nos colégios e, quando os alunos chegam aqui, não acreditam que está desse jeito. Eu não sei o que tem na cabeça desses governantes para deixar ficar assim. Os dois casarões são patrimônios tombados, mas estão abandonados. Os bandidos roubam e se metem dentro desse mato. Deveriam aproveitar esses espaços para fazer algo de útil, que fosse tirar esses jovens e crianças das ruas e dos vícios”, afirma o pescador cametaense que mora há 25 anos no distrito José Maria Gonçalves.

Morando há quatro meses ao lado da “Casa do Poeta”, que hoje está encoberta pelo mato, o eletricista industrial Adilson Sarmento teme a ação criminosa no local. “Aí entram usuários de drogas para consumir entorpecentes, tem homem que entra com mocinhas e fazem de abrigo. Tem muitas espécies de animais também. A polícia nunca aparece aqui. É algo que incomoda, a antiga dona daqui sofreu vários assaltos e, para poder garantir mais segurança, foram colocados alarme e cerca elétrica”, relata.

Já para quem frequenta o principal ponto turístico da Vila Sorriso, o mais difícil é andar pelo local, pois não há segurança. O problema tem afastado turistas e visitantes da orla do distrito gradativamente. “Venho para cá com a família quase todos os fins de semana. É muito bom sentir essa brisa, mas segurança aqui não tem. Dá muito pivete, pessoas mal intencionadas. Então, as pessoas já preferem não vir para cá. Na praia do Cruzeiro vai muito banhista, mas está contaminada, muito suja. A orla também precisa de manutenção”, disse o militar Emerson Rodrigues Corrêa, 22.

Frequentadora assídua da orla de Icoaraci, a empresária Mary Rangel conta que já presenciou a ação de criminosos no local. “Venho sempre porque gosto, mas sinto essa fragilidade. Se colocassem um PM Box já melhorava, mas aqui não vejo nem viatura passando”, garante.

Além da insegurança, os moradores da Vila Sorriso também reclamam que são esquecidos pelo poder público municipal. Na rua Padre Júlio Maria, bairro do Cruzeiro, a vizinhança afirma que, quando cai uma chuva, vai tudo para o fundo. Além de não haver escoamento da água, a rede de esgoto não funciona e há tempos a prefeitura não faz limpeza na via.

“Os próprios moradores se reúnem e mandam limpar. É assim em todo o distrito. Aqui na rua só fizeram remendos para tapar os buracos e limpeza não tem. Não temos o que comemorar, porque a situação é assim há anos e anos”, conta a professora aposentada Lucila Carvalho, moradora de Icoaraci há 62 anos.

Sobre as denúncias de falta de policiamento no distrito, a assessoria da Polícia Militar respondeu em nota que “trabalha com policiamento 24 horas, com policiamento a pé, em viaturas e motocicletas e conta com a supervisão de policiamento e as operações de caráter preventivo e de fiscalização. Além disso, há ainda as operações integradas com os demais órgãos de segurança pública e com a guarda municipal nas áreas de logradouros públicos municipais”. A reportagem também solicitou nota de esclarecimento à Prefeitura Municipal de Belém, mas até o fechamento desta edição não houve retorno.

(Diário do Pará)

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