A população que vive às margens dos canais em Belém está padecendo com a ausência do prefeito Zenaldo Coutinho. Mesmo com as chuvas diminuindo, a realidade de quem mora em alguns pontos da capital é sofrida. Além dos constantes entupimentos, por conta da falta de manutenção dos córregos e do acúmulo de lixos, em muitos locais já não existem nem mesmo as muretas de proteção dos canais.
Engana-se quem pensa que o descaso ocorre apenas nos bairros mais afastados do centro. Em São Brás, na avenida Gentil Bittencourt, o canal está tomado pelo mato. É possível achar árvores dentro da vala. Em alguns trechos, as muretas de proteção estão quebradas e existem buracos na via que se formaram devido à erosão do solo.
Na pista direita da travessa Guerra Passos, uma cratera se abriu, dificultando o tráfego de veículos e de pessoas. A população diz que a Prefeitura de Belém já foi acionada, mas até o momento nada foi feito. José Carlos já mora na avenida há mais de 15 anos e conta o perigo que a população sofre com a ausência de proteção à beira do córrego.
“Muitas crianças brincam na rua e várias delas já caíram. O buraco só aumenta e as pessoas são obrigadas a passar pelo meio da rua, desviando de carros e bicicletas. Além de não ter mais muro, o buraco já toma quase toda a pista. Daqui a pouco, a vala vai chegar à porta das casas. Já avisamos a prefeitura e até hoje nada foi feito”, lamenta. Ao longo da avenida a situação segue semelhante. A calçada está totalmente danificada e as muretas de proteção, tortas e quebradas.
Na travessa Nina Ribeiro, entre as ruas Silva Rosado e Américo Santa Rosa, também em São Brás, não existe amparo. Cansados de reclamar para o poder público municipal e não serem ouvidos, os moradores se reúnem para fazer a manutenção e prevenir os acidentes.
BAIRRO DO MARCO
Quem mora perto dos canais do bairro do Marco sofre com o abandono. É comum presenciar ruas alagadas, valas transbordando e até peixe nas poças formadas na via. Quem trafega pela travessa Mariz e Barros, entre as passagens Acatauassu Nunes e Leal Martins, reclama da situação. Há 35 anos, a aposentada Maria Lourdes Figueira mora na área e diz que o seu maior sonho é ver a região pavimentada. “As obras que estão sendo feitas aqui perto é só para enganar o povo. Andávamos por cima de pontes e hoje estamos no meio da vala e da lama”, disse.
A vendedora Josefa Mendes da Costa mora às margens do canal da Vileta e também reclama das obras que estão sendo feitas. “Depois das eleições, e o governador não ganhar, as máquinas vão embora e ninguém aparece. Quando chove, enche tudo. Essa obra é muito mal feita. As pessoas não podem nem sair com os carros da garagem. Além disso, tem muita poeira”. Josefa tem uma filha especial e, para evitar acidentes, a menina quase não sai de casa.
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(Diário do Pará)
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