Um dos cartões-postais do Pará, o mercado do Ver-o-Peso dará este ano as boas-vindas da pior forma possível aos turistas que vêm para o Círio de Nazaré. As tendas de lona tensionada que cobrem as barracas estão desgastadas, bem sujas e rasgadas. Os feirantes precisam fazer coleta para comprar o material e pagar alguém para realizar os reparos. Como se não bastasse isso, pelos corredores o lixo no chão e muita sujeira coroam o descaso do prefeito Zenaldo Coutinho com o ponto turístico.
São mais de quarto décadas de trabalho no Ver-o-Peso, mas atualmente a feirante Osvaldina da Silva Ferreira, 66 anos, não tem muito do que se orgulhar. Ela precisou desembolsar R$ 500 para comprar oito metros de lona plástica branca e cobrir o rasgo na parte superior, em frente à barraca. Com o buraco, os clientes e a trabalhadora se molhavam durante as chuvas ou pegavam muito sol. “Aqui a prefeitura não faz nada. Nós que temos que pagar. Aqui a gente está assim. É um sol danado. As pessoas têm que comer com o calor nelas e a gente não pode esticar a lona’’, reclama.
Outra lona, só que azul, comprada pela feirante no valor de R$ 400, cobre uma abertura bem no centro da barraca. A cobertura improvisada foi a forma encontrada para impedir que a chuva molhe os alimentos e demais objetos. Osvaldina enfatiza que se sente envergonhada em receber os turistas. “Têm dois de Santa Catarina que me ligaram e disseram para reservar duas mesas. Como vou reservar com essa situação? O prefeito disse que tinha liberado dinheiro para reforma. A gente marca reunião com a prefeitura e ele não atende a gente”, reclama.
“Isso aqui tem mais de ano’’, protesta a feirante Adriana Socorro, 34 anos, ao se referir às péssimas condições da lona que cobre a própria barraca. A poucos metros da cabeça dela, uma lona azul tapa o corte na cobertura. O calor é intenso. “Entra prefeito e sai prefeito e não muda nada. O forro está rasgado. A lona faz muito calor, mas, se tirar, vai molhar a gente.”
A agente comunitária de saúde Lucelia Sarges, 35, almoça no local. Ela reclama do intenso calor da cobertura improvisada. “Aqui é quente demais. Esse forro poderia ser um pouco mais alto. A pessoa pode até passar mal por causa da quentura. E tá tudo rasgado, encardido e feio. Como ponto turístico, deveria ser melhor.”
O abaetetubense Tarcísio de Paula Ribeiro, 37 anos, está em Belém para o Círio. De passagem pela feira, reclama do total estado de abandono. “São 12 anos sem reformas. Sempre chove e molha tudo. Quando venho aqui, já saio gripado. Estão péssimas as condições’’, atesta.
Na manhã de ontem, Pedro Paulo Barros, 31 anos, remendava um rasgo na lona de uma das barracas. Ele trabalha especificamente com o reparo e limpeza das coberturas. Pedro conta que só pela manhã tinha feito cinco limpezas. No momento, terminava de cobrir a frente de uma barraca. Pedro recebe R$ 15 por cada serviço. Dinheiro que vem do bolso dos feirantes. “Quando chove, molha tudo. Aí a gente tem que cobrir”, diz.
(Diário do Pará)
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