Mais de 300 servidores concursados e contratados para trabalhar na área da saúde de São Domingos do Capim, em greve há três dias por falta de pagamento dos seus salários, três meses atrasados, estão passando sérias dificuldades para poder alimentar suas respectivas famílias. Para amenizar a situação, são obrigados a recorrer aos amigos e parentes.
A denúncia foi feita na tarde de ontem por Edna dos Santos Corrêa, coordenadora em São Domingos do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde no Estado do Pará (Sindsaúde). “Estamos chegando ao extremo de uma situação que não é de hoje, com companheiros passando fome, devendo no comércio da cidade, se sujeitando a pedir empréstimos aos agiotas para poder dar o que comer aos filhos e vivendo o drama criado pela expectativa de não saber quando o prefeito [Alberto Yoiti Nakata, do PSDB] vai pagar nossos salários”, desabafou Edna.
Na manhã de ontem, ela participou de reunião na sala da promotora de justiça Renata Valéria Pinto Cardoso Lisboa, onde foi discutida a atual situação não só relacionada à situação dos servidores municipais que atuam na área da saúde, mas também sobre o atendimento precário prestado à população capimense, com a falta de médicos e medicamentos, e viver com situações como a de um médico que ganha da prefeitura um salário de R$ 20 mil para atender somente a partir das 19h, porque durante o dia ele atende em sua clínica particular, cobrando R$ 80,00 por uma consulta.
Na ocasião o procurador jurídico da prefeitura, advogado Renato Jardim, disse que os salários atrasados seriam pagos hoje. Só que, antes de a reunião acabar, Jardim se retirou do gabinete da promotora dizendo que ia retornar em meia hora, o que não aconteceu.
Encontrado por acaso quando se dirigia à balsa para sair da cidade, depois de ter passado mais um dia observando obras de asfaltamento de trechos de ruas da cidade, o prefeito Alberto Nakata foi interpelado pela coordenadora do Sindsaúde. Ao ser indagado sobre se ia cumprir a promessa feita pelo seu procurador, de resolver a questão dos salários atrasados, Nakata teria criticado a greve e chamado os grevistas de “irresponsáveis”. Teria dito ainda que os servidores “deveriam trabalhar mais do que cobrar salários”. “Na verdade, o prefeito quer achar um culpado pela má situação da saúde em São Domingos, para fugir da sua responsabilidade”, afirmou a coordenadora do Sindsaúde.
Além do pagamento dos salários atrasados, os servidores em greve querem, ainda, médicos permanentes nos plantões no hospital municipal, equipamentos, fardamento, plano de cargos e carreira. “Muitas vezes, somos vítimas de agressões verbais por parte dos moradores, correndo risco de agressões físicas, porque não temos como atender satisfatoriamente os que vêm em busca de socorro”, explica Edna dos Santos.
(Diário do Pará)
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