No momento do cadastro, os futuros beneficiários do programa ficam logo sabendo: precisam pregar bandeiras e cartazes do candidato Simão Jatene na frente das suas casas. Essa é a senha para a aprovação do benefício. Caso o “fiscal” do programa – geralmente um engenheiro - passe na frente das casas e não encontre o material devidamente afixado, o cadastro não é aprovado.
Informações dão conta que alguns engenheiros também participam do esquema ganhando um gordo percentual de cada parcela liberada do cheque. O mesmo acontece com algumas lideranças comunitárias, que, para agilizar o cadastro, cobram uma “taxa” do beneficiário que pode chegar a R$ 300,00.Se o MP esmiuçar os arquivos da companhia vai verificar que o número de atendimentos no programa é muito maior que o número de processos formalizados, o que caracteriza a irregularidade.
Muitos servidores da Cohab estão indignados com o que vem acontecendo no órgão, principalmente com a utilização de um importante programa social que deveria beneficiar os mais pobres mas que hoje vem sendo utilizado acintosamente como fonte de corrupção e máquina de ganhar votos.Toda a articulação do esquema foi feita pela ex-presidente da Cohab, Noêmia Jacob, hoje presidente da Cosanpa, e pelo seu sucessor, João Hugo Barral.
Os dois são oriundos da Caixa Econômica Federal. O esquema contaria ainda com a ajuda das diretora Cláudia Zaidan e Lucilene Bastos Farinha, arquiteta que veio da Secretaria de Educação (Seduc) e hoje atua na Cohab.Mônica Dantas Coutinho, diretora administrativo-financeira do Núcleo de Gerenciamento do Programa de Microcrédito Credcidadão é o elo entre a Cohab e o gabinete do governador. Já Sônia Massoud é a responsável pela coordenação do Cheque Moradia junto às lideranças comunitárias dos vários bairros de Belém.
(Diário do Pará)
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