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Professores da rede pública tem pouco a comemorar

Nesta quarta-feira (15), quando se comemora o Dia dos Professores, os educadores da rede pública de ensino do Pará e Belém tem pouco ou quase nada a comemorar. Estrutura ruim, desrespeito às demandas que se acumulam, baixos salários, falta de valorização.

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Nesta quarta-feira (15), quando se comemora o Dia dos Professores, os educadores da rede pública de ensino do Pará e Belém tem pouco ou quase nada a comemorar. Estrutura ruim, desrespeito às demandas que se acumulam, baixos salários, falta de valorização... Esses são alguns dos problemas que os responsáveis por parte da formação intelectual das pessoas lidam todos os dias.

Em protesto às péssimas condições de trabalho, cerca de 150 professores da rede pública de ensino reuniram nesta manhã em frente à Prefeitura Municipal de Belém. Eles realizam um ato público reivindicando melhorias na educação. Wilson Fernandes, 33, professor da rede municipal de 6º a 8º ano, é um destes professores que, apesar das dificuldades e inoperância do estado, segue fazendo seu trabalho.

Cansados de esperar por melhorias, nos últimos meses vários alunos de diversas escolas passaram a reivindicar melhorias nas escolas. Foto: Ricardo Amanajás/Diário do Pará.

Em entrevista à reportagem do Diário On Line (DOL) o educador, há dois anos efetivado na Semec, mas que já atuava há oito anos na escola pública, reclamou da falta de atenção e investimento do governo do estado na educação do Pará: “Parece que não nos veem como profissionais-chave que somos. Não colaboram para nos estimular e respeitar nossas demandas, isso acaba atingindo o aluno também. Talvez seja justamente por isso que não investem na educação: não querem mais pessoas esclarecidas”, desabafou.

Apesar das dificuldades, Fernandes, assim como outros professores, seguem sua caminhada. “Por parte do governo não há motivação, mas somos semeadores de conhecimento e temos nossa missão. Mesmo com estruturas ruins, salários pequenos, falta de segurança e intransigência do poder público, quando vemos o sorriso de uma acriança aprendendo nos sentimos estimulados, é isso que nos faz reivindicar e continuar”, finalizou.

Reivindicações

Em estado de greve, mais de cem profissionais da educação municipal receberam desconto na folha de pagamento após a adesão à greve no ano passado que durou um mês. Além disso, segundo professores, outro problema segue ocorrendo: o pagamento do vale digital de transporte atrasa menalmente. “O correto é recebermos no início do mês, mas há algum tempo só cai (sic) por volta do dia 20, o que prejudica muitos servidores”, disse Wilson.

Após uma audiência de conciliação, no último mês, convocada pelo relator da ação, juiz José Roberto Bezerra, foi determinado o ressarcimento dos descontos feitos nos vencimentos de 128 professores. A prefeitura de Belém, no entanto, ainda não atendeu a determinação judicial.

Os professores reivindicam piso salarial, que não é pago no município; o pagamento de insalubridade, com o fornecimento de equipamentos de segurança para o pessoal que trabalha com muita exposição; o pagamento de titularidade aos profissionais que se esforçam para aprimorar o conhecimento e não são valorizados e ainda as eleições diretas para diretores.

Educação no Pará é a 3ª pior do país

Não são raras as denúncias contra as precárias condições das escolas estaduais em todo o Pará. Somente nos últimos meses, a reportagem do DOL destacou problemas em diversas instituições, como em Belém, Castanhal, Santarém e Marajó.

Em Santarém, na escola Gonçalves Dias alunos são obrigados a tomar água da torneira. Foto: Divulgação

Sem respeito aos professores e alunos, escolas sucateadas e pouco investimento, não surpreende que o Pará seja, entre 26 estados e o Distrito Federal, a 25ª educação do país, o seja, a terceira pior do Brasil.

(Enderson Oliveira/DOL, com informações do Diário do Pará)

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