O Pará tem 84,4% das rodovias estaduais classificadas como péssimas ou ruins pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). O trecho com pior avaliação foi o que liga os municípios de Natividade, no Tocantins. O segundo pior trecho do Brasil liga Belém a Guaraí, no Tocantins, passando pelas rodovias BR-222, PAs-150, 151, 252, 287, 447, 475, 483 e TO-336.
Segundo a Pesquisa CNT de Rodovias 2014, as condições ruins das rodovias causaram parte dos 186 mil acidentes e das 8.551 mortes registradas em rodovias federais no ano passado.
Buracos grandes, pontes caídas e erosões na pista são os problemas mais críticos das estradas paraenses. Pistas simples de mão dupla constituem 97,2% da malha viária do Pará. Nelas, 532 quilômetros, ou mais de 20% do total não têm nenhuma sinalização. Em 848 quilômetros, foram identificadas trincas e remendos no asfalto. Placas desgastadas ou inelegíveis somam 48% do total da sinalização das estradas no Pará.
O relatório apresentado ontem revela que metade do pavimento das rodovias brasileiras é classificada como regular, ruim ou péssima. São problemas como buracos e rachaduras. Nos 650 quilômetros de rodovias estaduais avaliadas no Pará, a CNT só classificou como ótimo um pequeno trecho de 31 Km. Em 456 quilômetros da PA-150, os técnicos da confederação classificaram o estado geral da rodovia como “regular”. A pavimentação e a geometria também receberam a mesma classificação. Já a sinalização em toda a extensão da PA-150 foi considerada ruim.
Na PA- 483, a pavimentação foi considerada péssima, mesma qualificação recebida pela PA-447. A CNT avaliou as condições da superfície do asfalto e constatou que 44,7% da extensão está desgastada.
A rodovia Marabá/Dom Eliseu (BR- 222) é a terceira pior rodovia do Brasil. Este trecho da BR-222 que liga Marabá a Dom Eliseu passa por Bom Jesus do Tocantins, Abel Figueiredo e Rondon do Pará e forma, junto à PA-150 e à BR-153, o principal eixo de integração do Estado do Pará. Permite o acesso de Belém a Brasília, além dos estados do Tocantins e Mato Grosso, ligando todo o Nordeste e o Sudeste.
Os resultados mostram que 44,7% da malha pavimentada pesquisada apresentam desgastes e 19,1% têm trincas e remendos. Em outros 3,3% existem afundamentos, ondulações e buracos, enquanto em 0,5% a pista está simplesmente destruída.
GASTOS
Na média nacional, os gastos operacionais de transporte têm um aumento de 26% por conta da precariedade da malha rodoviária. Já na região Norte – principalmente nas estradas paraenses, que concentram a maior parte dos pontos críticos -, o aumento das despesas é de 37,6%.
Para a CNT, falhas na execução do orçamento atreladas ao excesso de burocracia e incompetência dos gestores públicos contribuem para agravar o estado de conservação da malha viária. O investimento público federal previsto para a conservação de rodovias neste ano era de R$ 11,9 bilhões, mas pouco mais da metade – R$ 6,5 bilhões – foi utilizado. Corrigir as deficiências do modal rodoviário no Brasil demanda recursos de R$ 293,8 bilhões.
“O governo precisa da parceria da iniciativa privada para oferecer uma melhor infraestrutura de transporte e as concessões são um importante caminho para melhorar as condições das rodovias e contribuir para o crescimento do país. A situação das rodovias sob gestão pública está muito pior em relação às concessionadas”, avaliou Clésio Andrade, presidente da CNT.
No PA, foram avaliados 2.621 quilômetros de estradas
Na pesquisa nacional, foram avaliados 98.475 quilômetros que correspondem a toda a malha viária federal, além de principais trechos de rodovias estaduais. De acordo com a CNT, somente 32,4% estavam em condições perfeitas de rodagem. No Pará, foram avaliados 2.621 quilômetros, sendo 1.971 de estradas federais e 650 de responsabilidade do governo do Estado do Pará, neste caso, na gestão de Simão Jatene.
Embora apenas 12% das rodovias brasileiras sejam pavimentadas, 62,1% dos trechos pesquisados ainda apresentam algum tipo de problema. Além disso, os pontos críticos na malha rodoviária aumentaram 32% nos últimos quatro anos.
O levantamento abordou quase a metade dos 203.599 quilômetros de rodovias pavimentadas do país. Os trechos asfaltados, porém, representam apenas 12% do mais de 1,691 milhão de quilômetros de estradas brasileiras.
“É muito pouco para um país que quer crescer. A nossa densidade é muito menor do que a de países como a Argentina e o México. O Brasil precisa melhorar a extensão e a qualidade da sua malha rodoviária”, afirmou o diretor executivo da CNT, Bruno Batista.
PONTOS
Entre os pontos críticos encontrados estão 28 quedas de barreira, 13 pontes caídas, 100 erosões na pista e 148 buracos grandes. O total de 289 ocorrências críticas em 2014 supera os 250 pontos identificados em 2013 e é 32% superior aos 219 problemas registrados em 2011. “Isso é bastante preocupante porque é um reflexo imediato sobre a segurança das pistas, com relação direta sobre o número de acidentes”, completou Batista.
Com relação à sinalização das pistas, em 39,9% dos trechos rodoviários pesquisados a pintura das faixas laterais estava desgastada e em 15,9% era simplesmente inexistente. No caso da faixa central, havia desgaste em 40,8% da extensão analisada e em 6,8% não havia sequer sinalização. “Na chuva, por exemplo, esse desgaste aumenta muito a insegurança”, explicou o diretor da CNT.
A confederação também identificou falhas na ausência de dispositivos de proteção contínua - as chamadas muretas - em 45,9% dos trechos, todos eles estão com necessidade da estrutura. Em 11,8%, os dispositivos existiam de maneira adequada; em 17,7% estavam presentes apenas e parte do percurso; e nos 24,6% não havia a necessidade da estrutura. Como ponto positivo, as placas de sinalização vertical tiveram bom resultado, estando visíveis - sem obstáculos, como mato - em 82,3% dos trechos avaliados e legíveis em 88% da extensão pesquisada.
Quanto à geometria das vias, porém, 49,7% da extensão percorrida pela CNT contam com curvas perigosas sem placas e sem muretas de defesa completas. Apenas 11,5% dos trechos contam com os dois instrumentos de segurança e sinalização. Além disso, em 60,1% delas não havia acostamento e 66,9% das pontes e viadutos não contavam com as estruturas de segurança ideais.
(Diário do Pará com Agência Brasil)
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