Antes símbolo do início das obras de implantação do BRT (Bus Rapid Transit), os grandes blocos de concreto alinhados ao longo do início da avenida Augusto Montenegro hoje servem apenas de mural para anúncios pintados de forma improvisada.
Sem qualquer vestígio das obras prometidas nem identificadas no local, a faixa isolada pelos blocos na lateral do canteiro da avenida não apenas diminui a área destinada para o trânsito dos carros como também acumula lixo, água parada e mato.
Habituado a transitar pelo local diariamente, o aposentado Olivar de Silva recorda até hoje a promessa de Zenaldo de que as obras de implantação do sistema de trânsito rápido na avenida Augusto Montenegro iniciaria logo após a fase entregue na avenida Almirante Barroso.
Passados já vários meses, o que o senhor de 71 anos percebe é a interrupção nas obras. “Isso aí tá parado. Ninguém sabe quando vão fazer alguma coisa, se vão fazer”, considera. “Não começaram isso aí e a população que fica prejudicada, porque só serve para acumular água e mosquito da dengue. Essa história de BRT não vai ser terminada não, só mentira”.
PREJUÍZOS
Sem conseguir recordar de um dia que já tenha visto operários trabalhando no local para a implantação da obra, a professora Jandira Lobo já não nutre nenhuma esperança de ver o projeto concluído na avenida onde mora. Para ela, até hoje as pequenas mudanças promovidas no local só causaram prejuízos aos que precisam transitar pelo local.
“Se eles se propõem a fazer uma coisa dessa, têm que concluir. Isso aí diminuiu a pista, causou congestionamento e eu nunca vi ninguém trabalhando nisso aí”, diz, ao tentar puxar pela memória. “Eu não concordo que gaste dinheiro colocando esse negócio aí e deixando parado. A gente pensou que ia melhorar, mas pelo visto... Eu não espero que isso fique pronto, não nesse governo que tá aí.”
Preocupada com os constantes acidentes ocorridos no corredor expresso da avenida Almirante Barroso, a analista de cobrança Sheila Freire tem dúvidas se a conclusão da obra seria realmente benéfica para a população. Sem qualquer andamento nos trabalhos, ela também não consegue imaginar o projeto concluído.
“Deveria ser para a melhoria do povo, mas o que a gente já viu é que foram vários acidentes na Almirante Barroso”, relaciona. “Gastaram dinheiro com isso aí, diminuíram a pista e não houve melhoria porque nunca deram continuidade. Se for para ficar como ficou na Almirante Barroso, melhor nem sair mesmo”.
A interrupção nas obras de implantação do BRT na Augusto Montenegro já foi denunciada pelo DIÁRIO em matéria publicada em junho deste ano. Na ocasião, a Prefeitura de Belém encaminhou nota ao jornal onde afirmava que a obra estava “prevista para iniciar em agosto deste ano”, porém, o que se percebe é que as obras continuam interrompidas.
Em nota, a Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb) informa que a obra do projeto do BRT Augusto Montenegro está em processo licitatório na sua fase final.
(Diário do Pará)
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