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Moradores exigem providências de Jatene

Vivendo em uma situação precária, sem saneamento básico e com os imóveis completamente deteriorados, os moradores da comunidade Cubatão, no distrito de Icoaraci, exigem uma resposta imediata do governador do estado, Simão Jatene, para o remanejamento de c

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Vivendo em uma situação precária, sem saneamento básico e com os imóveis completamente deteriorados, os moradores da comunidade Cubatão, no distrito de Icoaraci, exigem uma resposta imediata do governador do estado, Simão Jatene, para o remanejamento de cerca de 300 famílias cadastradas pela Companhia de Habitação do Estado do Pará (Cohab) que deveriam ser beneficiadas com as unidades habitacionais do projeto Taboquinha, integrante das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Segundo Rosa Souza, 44, presidente da Associação dos Moradores da Taboquinha, as famílias começaram a ser cadastradas em 2007 e o projeto começou a ser executado em 2008, porém, até agora, somente em torno de 12 famílias da comunidade foram remanejadas. As famílias querem a liberação dos dois terrenos previstos para a construção das unidades habitacionais, sendo o “terreno do médico”, na 3ª rua do distrito, e o “terreno da madeireira”, no bairro do Cruzeiro.

“O governo propôs o remanejamento das famílias da comunidade e desde 2010 estamos esperando. Hoje a proposta deles é remanejar 100 famílias para os apartamentos do Minha Casa, Minha Vida, no Aurá (em Ananindeua), mas nós sabemos que isso não vai acontecer e também não queremos ir pra lá, pois a nossa vida está aqui, nem tirar a vaga das pessoas que moram em Ananindeua. As famílias que moram aqui estudam e trabalham aqui, como é que vão para o Aurá?”, questiona Rosa.

DENÚNCIAS
A presidente da associação afirma que já foram feitas diversas denúncias ao Ministério Público sobre os problemas que os moradores da comunidade enfrentam naquela área, além da demora para a entrega das moradias, já que os recursos foram liberados. “Até agora não vimos construírem as habitações. As famílias estão morando com terceiros, pagando aluguel e não existe auxílio moradia do governo. Aqui as casas estão caindo, eles não dão prioridade aos idosos, as pessoas com deficiências e as crianças. Não existe critério social. Só quem tem alguma força política consegue ser remanejado”, reclama.

As casas passam por cima de um rio onde é despejado o esgoto de toda a comunidade. Segundo os moradores, quando a maré enche a água invade as casas causando danos materiais e à saúde das famílias. A dona de casa Maria de Nazaré Monteiro, 63, conta que parte da sua casa já desabou e o imóvel já foi notificado pela Defesa Civil por estar impróprio para moradia. O laudo foi emitido há um ano e, apesar das denúncias feitas ao MP, Maria ainda não conseguiu ser remanejada e teme que o pior aconteça.

“Já fui ao MP duas vezes, a primeira em 2011 e a segunda ano passado. Caiu uma parte da minha casa, depois arriou o assoalho e tive que mandar ajeitar. Agora está em risco de desabar tudo. Já apresentei o laudo na Cohab, mas eles falam para a gente esperar . Eles já vieram aqui várias vezes, demarcam as casas, mas não vêm nos tirar daqui. Minha casa de uma hora para outra pode cair. Meu filho mora nos fundos e a casa dele já arriou toda. A gente fica numa situação difícil sem saber o que fazer”, lamentou Maria.

RECLAMAÇÃO

A idosa Oscarina Melo, 82, também espera ser remanejada do local desde 2008. Ela mora em cima da parte do rio que recebe o esgoto da comunidade. “Só vivo aqui porque não tenho para onde ir. A gente amanhece o dia e nem pode tomar café devido o fedor insuportável do esgoto. Sou cardíaca, tenho colesterol e pressão alta. A fossa invade minha casa quando o rio enche, vivo doente nessa situação já há 30 anos. Uma assistente social da Cohab veio aqui e perguntou se eu queria ir para o Aurá. Mas eu não quero, quero uma casa aqui”.

A presidente da associação disse ainda que as famílias esperam ser beneficiadas com as 42 unidades habitacionais que estão sendo construídas na rua Juvêncio Sarmento, além da liberação dos terrenos designados para a comunidade.

“Verba tem para fazer, então, não entendemos por que ainda não fizeram. A área do médico já foi desocupada, tem só um caseiro lá que foi até indenizado. As obras estão atrasadas. E o governo determinou que quem fosse beneficiado não podia mexer nas casas. Convivemos com ratos, insetos e até a sede da associação está caindo e ninguém pode mexer em nada”, reclamou Rosa.

COHAB

Em nota, a Cohab afirma que não existe atraso na entrega das unidades habitacionais da comunidade Taboquinha. “Segundo o cronograma e acordo firmado com o Ministério Público, a cada entrega de apartamentos, seja incluído o percentual de 15% de famílias da Comunidade Cubatão (...)” , “A obra se encontra com percentual de quase 56% de serviços executados e das 978 unidades habitacionais previstas, já foram entregues 478. Atualmente estão em fase de acabamento 42 unidades habitacionais, que deverão ser entregues nos próximos meses”.

(Diário do Pará)

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