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PM articula repressão política no 2º turno

A Polícia Militar do Estado, que devia zelar pela segurança pública e proteger o cidadão, entrou de cabeça da campanha eleitoral no Estado e se tornou mais um braço político na campanha para a reeleição do governador Simão Jatene. A ordem vinda diretam

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A Polícia Militar do Estado, que devia zelar pela segurança pública e proteger o cidadão, entrou de cabeça da campanha eleitoral no Estado e se tornou mais um braço político na campanha para a reeleição do governador Simão Jatene. A ordem vinda diretamente do gabinete Militar da governadoria do Estado é atrapalhar ao máximo a campanha do candidato Helder Barbalho nessa reta final da campanha em todo o Estado, deixando os correligionários do governador e recandidato Simão Jatene livres leves e soltos, utilizando ao máximo a máquina pública para cooptar o voto dos eleitores.

O “cabeça” do esquema é o tenente coronel Fernando Noura, chefe da Casa Militar do governo de Simão Jatene. O esquema funciona da seguinte forma: oficiais da confiança de Noura estão sendo estrategicamente deslocados para municípios importantes do Estado, onde vão controlar com mão de ferro a tropa. Coronel Torres, por exemplo, será deslocado para Marabá, onde o candidato peemedebista ganhou com uma grande diferença de votos o candidato tucano no primeiro turno.

A ordem principal é constranger, intimidar e, principalmente, prender todo e qualquer correligionário de Helder, fazendo a devida vista grossa para os apoiadores de Simão Jatene. Segundo as ordens de Noura, o esquema deve funcionar a pleno vapor principalmente na antevéspera e véspera da eleição, criando a maior dificuldade possível para os partidários do PT e PMDB pelo Estado.

O fato é que o coronel Daniel Mendes, que é comandante geral da Polícia Militar, foi escanteado de suas funções e hoje virou figura decorativa dentro da corporação. Toda a articulação e comando partem diretamente do coronel Noura, com apoio bem próximo do coronel Hilton, subcomandante da PM.

Esse mesmo esquema funcionou a todo vapor no primeiro turno, priorizando a região metropolitana. Na ocasião, militares saíram às ruas à paisana e em carros não oficiais para monitorar os correligionários de Helder. Muitos foram presos e levados para delegacias da Polícia Civil. Agora, na etapa decisiva do pleito, a ordem é utilizar a tropa e executar a repressão política em todos os comandos da corporação no Estado.

Promotor da Justiça Militar, Armando Brasil, diz que a legislação é clara: “Policiais militares não podem participar de campanhas políticas. Caso essa denúncia se comprove, vou instaurar um procedimento investigatório criminal na promotoria militar e os responsáveis, tanto os mandantes como os que cumpriram as ordens, serão responsabilizados, já que ordem ilegal não se cumpre”, ressalta.

O promotor lembra ainda que a Polícia Militar é um órgão de Estado, e não de governo, e não pode, sob hipótese alguma, estar vinculada a partido político. “O combate à propaganda irregular e possíveis prisões pela PM devem ser feitas sem distinção de cores partidárias e atingir todo e qualquer cidadão que esteja cometendo a ilicitude, independente de partido político”, aponta.

(Diário do Pará)

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