De dentro da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Jornalista Rômulo Maiorana, a aluna da 7º série suplica. “Peça pelo amor de Deus para o governo reformar a escola’’. Mizaele Guimarães, 13 anos, se cansou das promessas de melhorias na instituição, localizada no Conjunto Cidade Nova 8, WE -48, em Ananindeua.
Enquanto anda pelos corredores, rumo a uma das salas de aula, ela contempla a paisagem desoladora. O matagal toma conta do espaço. Já em sala, as paredes coloridas despertam a atenção. Não pelos desenhos ou trabalhos de educação artística produzidos pelos estudantes, e sim pelas pichações e pintura descascada.
Durante as aulas de educação física, os estudantes correm riscos. As práticas são realizadas entre 11 horas e meio-dia. Além de jogar no sol quente, já que não há cobertura no espaço. O piso de cimento, que possivelmente é tido como o de uma quadra de esporte, deixa os estudantes vulneráveis a graves quedas e acidentes.
“A educação física é no sol quente e a quadra tá precária. As portas das salas estão quebradas. As paredes pichadas. São os próprios funcionários que fazem coleta para cortar o mato. A direção diz pra gente que o governo não traz os recursos’’, ressalta a estudante.
“Aqui é uma tristeza esse colégio’’, avalia a doméstica Nilvana Marques da Cruz, 36, mãe da aluna Rayssa Cruz Martins, 12 anos. Rayssa também reclama das condições de onde estuda. “Eles não limpam a sala. Está toda suja. O ventilador ta quebrado. As vezes faz barulho e a gente pensa que vai cair’’, conta. Jocely Moraes Miranda, 12 anos, diz que faz tempo que a merenda escolar não é dada. Ontem, foi apenas uma laranja.
O policial militar Wallace Ferreira Gomes, 44, relata que semana passada trouxe o filho todos os dias para fazer provas e não teve aula. “Aqui é uma situação precária. Semana passada não teve um dia de aula. Ele veio fazer a prova e não teve. Meu filho também reclama que trocam o tempo todo de professores’’.
As reclamações não são exclusivas da Escola Rômulo Maiorana. Na Cidade Nova VI, com SN 21 e 23, entre WE-66 e 68, a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Lucy Correa de Araújo, é lembrada pelos alunos como um local impróprio para estudar e permanecer por muito tempo, devido aos assaltos e arrastões já registrados.
O aluno do primeiro ano, Breno Deldson Cunha, 16 anos, conta que a falta de janela em sala dificulta o aprendizado. “Arrancaram a janela da minha sala tem meses. Quando chove, alaga e o mal cheiro de fora vem tudo pra sala. Quando chove molha tudo’’. O estudante lembra de um arrastão que teve dentro da escola no ano passado, e na vez em que lhe levaram o celular durante um assalto em frente à escola.
A aluna do 1º ano, Ranielly Fernandes, 17 anos, denuncia o acesso livre de pessoas nas dependências da escola, sem nenhum tipo de critério. “Aqui não tem nenhuma carteirinha. A pessoa põe o uniforme da escola e entra. Por isso que tem assalto’’, diz.
O porteiro da escola, que prefere não se identificar, confirma que não há uma vistoria rígida para quem entra e sai do local. Os assaltantes pulam o muro e entram para roubar.
Em nota, a Secretaria de Educação do Estado(SEDUC) informou que está em curso uma licitação para contratação de empresa especializada em serviços de portaria para reforçar a segurança de todas as unidades da educação vinculadas a Seduc.
Ainda de acordo com a nota, a secretaria estuda controlar a entrada e saída dos alunos e servidores das unidades de educação com catracas biométricas. A autorização de entrada de outras pessoas, cabe a direção da escola. Sobre a reforma na Lucy Correa de Araújo, está programada para o ano que vem.
(Diário do Pará)
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