Foram inúmeras as denúncias recebidas pelo jornal. No município de Igarapé Miri, região do Baixo Tocantins, por exemplo, sob a coordenação do deputado tucano Ítalo Mácola, as informações eram de que cerca de mil pessoas receberiam os cheques dia 22. A distribuição ocorreu na escola Professor Manoel Antonio de Castro, em frente à delegacia da cidade.
Mácola, que não conseguiu se reeleger deputado estadual, tem estreita ligação com o prefeito cassado Aílson Santa Maria do Amaral (DEM), mais conhecido como “Pé de Boto”, aliado de primeira hora do recandidato Simão Jatene e coordenador da campanha do PSDB na região. “Pé de Boto” foi afastado do cargo sob denúncias de fraudes em processos licitatórios na prefeitura municipal, tráfico de drogas e até de participação em grupos de extermínio.
O cadastramento das pessoas e a entrega dos cheques foi feito pelos professores Duval (diretor da escola) e Eliana (secretária do PSDB no município), e por Dilza Pantoja, ex-prefeita de Igarapé Miri, condenada por improbidade administrativa e hoje respondendo a processo na vara federal penal. No domingo passado o DIÁRIO mostrou que uso eleitoreiro do Cheque Moradia, que deveria melhorar a vida da população através da construção, ampliação ou melhoria das casas dos beneficiários, contaminou por completo o programa. Em Ponta de Pedras o programa ludibriou centenas de famílias e frustrou o sonho da casa própria.
O governador Simão Jatene e a sua correligionária e prefeita de Pontas de Pedras, Consuelo Castro (PSDB) entregou dezenas de Cheques Moradia a famílias carentes da cidade no valor de R$ 846. Hoje, seis meses depois, várias famílias denunciaram várias irregularidades cometidas pelo governo do Estado, através da Companhia de Habitação do Pará (Cohab) que, além de não construir e reformar ainda sumiu com a maior parte do material que deveria ser utilizado nas obras das residências.
FORA DE CONTROLE
Na verdade acabou por se revelar um grande esquema onde intermediários recolhiam os cheques dos beneficiários após os mesmos terem sido distribuídos e os repassavam para a prefeitura que, de maneira totalmente ilegal, acabou por repassar parte do material fornecido, comprado na empresa Quaresma Construções e Comércio, localizada na Estrada da Providência, na Cidade Nova II, em Ananindeua.
O DIÁRIO recebeu a informação que do total de cheques entregues, a maioria ficou com a prefeita e o restante com o vice-prefeito, que é dono de uma estância no município, caindo por terra a alegação da prefeitura de que não existiam empresas capazes de trocar o cheque em Ponta de Pedras. Como não receberam o combinado, a maioria dos beneficiários acabou vendendo o pouco material recebido por um valor bem abaixo do mercado.
Lideranças comunitárias também estão se aproveitando de famílias que solicitam o cadastramento no Cheque Moradia para garantir nos seus bolsos uma boa quantidade em dinheiro que vem nas parcelas do cheque. Alguns deles estariam cobrando até R$ 2 mil de comissão. As famílias que aderem ao pagamento do líder recebem o cheque quase que imediatamente, enquanto o restante que se nega a pagar aguarda há mais de um ano pelo benefício. Muitas pessoas foram surpreendidas no momento em que receberam o cheque, já que algumas não sabiam que deveriam fazer o pagamento dessa quantia. Quando ficam sabendo que a pessoa está indo receber o cheque as “lideranças” ficam na porta da Cohab aguardando para fazer a cobrança.
(Diário do Pará)
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