O descaso com o cemitério público do Tapanã, um dos maiores de Belém, pode ser constatado logo na entrada do local. Pedras soltas durante o trajeto atrapalham quem decide fazer o percurso a pé. De carro a situação não é diferente.
A falta de manutenção com o bem público é visível: os sacos plásticos de lixo esquecidos às margens da pista central demostram que a limpeza não foi concluída e que apenas uma pequena parte do espaço foi capinada a menos de uma semana do Dia de Finados. O mato alto em todas as partes do cemitério e, mais precisamente, entre os túmulos já encobriu cruzes e outros símbolos que demonstrariam que ali existem jazigos.
Há doze anos, a família Rebouças paga um senhor para fazer a limpeza do local onde está sepultado um membro da família. De outra forma, os familiares não teriam a sepultura limpa e bem cuidada. “Eu nunca vi um coveiro aqui. Só as pessoas da família é que fazem esse tipo de trabalho”, ressaltou o visitante João Luiz Rebouças.
RECLAMAÇÃO
Maria dos Santos Rebouças, 64, descreveu a rotina feita pela família desde que o filho de 24 anos perdeu a vida de forma trágica, em um acidente de trânsito. “O cemitério vive abandonado. Não é porque é público que o trabalho não deve ser feito. Nós fazemos essa limpeza mesmo fora do Dia de Finados. E, se não fizermos, a sepultura do meu filho estaria tomada de mato e sujeira”, completou.
Outras situações de abandono do poder público são preocupantes. Não existem profissionais suficientes para atuar na segurança do cemitério e das pessoas que o visitam. São inúmeros os relatos de furtos às pessoas dentro do cemitério. Mesmo acompanhadas, as pessoas temem por uma abordagem de desconhecidos. “Eles pulam o muro e abordam as pessoas no meio do caminho e roubam seus pertences. Mesmo à luz do dia, os assaltos acontecem. Sempre acompanho meus pais nesse trabalho e, mesmo assim, o perigo é grande de sermos abordados”, contou João.
Com 43 anos de idade, Walmir Piedade faz mais de quarenta serviços de limpeza no cemitério do Tapanã em Dia de Finados. Uma semana antes desta data, ele já está com seus instrumentos de trabalho em mãos pronto para iniciar mais um serviço de capinação nas sepulturas. “Desde que inaugurou o cemitério, eu faço esse trabalho, que dá para sustentar minha família. São seis horas trabalhando direto no Dia de Finados e em datas comemorativas”, contou.
O DIÁRIO não conseguiu contato com a Secretaria de Urbanismo (Seurb) nem com a administração do cemitério.
(Diário do Pará)
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