Moradores de Soure (PA), Elineide Lobato dos Santos e Fabrício Ricardo da Silva viajaram na segunda-feira por cerca cinco horas pela Baía do Marajó, no Pará, com destino a Belém, a fim de receber a Bolsa Maternidade da quarta filha, recém-nascida. Eles fazem essa viajem sempre que enfrentam dificuldades na prestação dos serviços públicos do município. “Minha bebezinha quebrou o braço, aí a gente teve que vir para cá, porque não tem essas coisas, esses médicos, né?”, disse Elineide à Agência Brasil. “Quando eu fui ganhar ela, eu sentia muita cólica, e não tinha remédio para me aplicar”, ressaltou, segurando a filha no colo.
Fabrício reclama de poucas vagas de emprego na região. Ele é pescador de camarão e ganha cerca de R$ 400 por mês. Quando é o período do defeso, em que atividades de caça e pesca são proibidas para permitir a reprodução das espécies, recebe um seguro de um salário mínimo por mês.
A mesma preocupação tem dona Sulanita dos Santos Cardoso, de 64 anos, pois seu filho está há três anos sem conseguir um emprego fixo. Ela mora em Abaetetuba e pede que a saúde seja priorizada. “Lá eles fazem só botar uma atadura no braço para te imobilizar e te mandam para Belém”, disse Renato Santos Cardoso, filho de dona Sulanita. “Ele faz muitas coisas boas para cá, para esses lados, mas lá em Abaetetuba não se vê nada, nada, nada...”, diz a aposentada, referindo-se à cidade onde mora.
Apesar de trabalhar como vendedora de uma loja, Raquel Cardoso, filha de dona Sulanita. Ela se queixa das poucas vagas de emprego na região. Raquel disse que vai começar um curso de soldadora e, depois, pretende procurar oportunidade em outras cidades e tentar cursar o ensino superior. “Para pegar um emprego lá, tem que ter um peixe grande para puxar o outro lá para dentro, senão não arruma de jeito nenhum. Ele [meu filho] fez o curso de vigilante, mas nada[de trabalho]”, disse.
Marajó clama por mais segurança
A segurança é algo que tem faltado em algumas regiões do Estado, ressaltou Willian Rosa. Conhecido como Zulu, ele é casado com Dayana Oliveira, descendente dos índios ipixunas, e mora na Ilha do Marajó. “A maior dificuldade hoje no Estado do Pará é a segurança. Ninguém anda com segurança mais. Você não pode botar uma carteira, andar com uma roupa boa, que a galera quer te roubar”, disse.
(Agência Brasil)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar