A água encanada é rara no Conjunto Parque Verde, em Belém. E, quando ela aparece nas torneiras, geralmente está suja e com mau cheiro. Frustrada, a maioria dos moradores sabe que não pode esperar um serviço de qualidade e prefere utilizar a água mineral para fazer os alimentos, já a louça e a roupa ficam ou amontoadas em um espaço na casa ou são lavadas após a água passar por uma espécie de filtro caseiro.
Pelo menos há três dias, uma família inteira de quatro pessoas, que mora na rua 19 de Agosto, está sem o líquido nas torneiras. Sem a água, a estudante Camilly Vitória, de 13 anos deixou de ir à escola ontem porque não tinha como tomar banho. O pai da estudante Bruno César, de 34 anos, disse que a conta de água chega precisamente no inicio do mês, enquanto que a água só aparece durante a madrugada. “A falta d’água é constante, quando ela vem ainda é suja e fedorenta. De madrugada ela surge, mas por volta das 10h não tem mais”, afirmou.
Com a precariedade no abastecimento de água, as famílias da área são obrigadas a recorrer à água mineral no intervalo de, pelo menos, três dias, fator que aumenta os custos no orçamento familiar, segundo expressou o mototaxista Bruno César. “Além de pagar a conta da água, que é de péssima qualidade, a gente ainda tem que comprar água mineral porque não dá para fazer nada com essa água da Cosanpa, que é podre e suja. A gente fica com medo até de pegar alguma coceira ou doença de pele”, disse.
Outros moradores da rua 21 de Agosto, residentes do Conjunto Parque Verde, também estão sendo afetados pela ausência de água. Aposentado do Corpo de Bombeiros, Emerson Santos disse que, ao se tornar morador daquela área, preferiu recusar a instalação da água encanada, porque já imaginava que o recurso seria falho e de péssima qualidade. “Desde o início da invasão desse lugar, eu disse que não queria porque vinha uma água suja, fedorenta”, descreveu.
“Prefiro pagar um pouco mais na energia elétrica e do que ter uma água de péssima qualidade e ainda por cima ter que pagar pela água mineral, que é o que todos que dependem dessa água fazem. As pessoas falam mal do serviço de abastecimento e do valor da conta absurda que têm que pagar e por isso muita gente igual a mim optou pelo poço artesiano”, acrescentou Emerson.
A Companhia de Saneamento do Pará justificou que o problema da falta de água no Parque Verde se deu em virtude da queima de um dos motores que liberam o abastecimento de água para o conjunto. O problema aconteceu no último fim de semana. De acordo com a nota divulgada pela Cosanpa, ontem, o abastecimento já estaria normalizado. A companhia não justificou a demora para fazer a manutenção ou troca do equipamento que queimou.
(Diário do Pará)
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