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Campanha de Jatene reacende debate sobre divisão

Tudo indica que governador reeleito Simão Jatene ainda não se recuperou do susto de quase ter perdido o posto para o candidato Helder Barbalho, no último domingo, apesar do uso indiscriminado da máquina administrativa. Numa clara hipocrisia, ele atribuiu

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Tudo indica que governador reeleito Simão Jatene ainda não se recuperou do susto de quase ter perdido o posto para o candidato Helder Barbalho, no último domingo, apesar do uso indiscriminado da máquina administrativa. Numa clara hipocrisia, ele atribuiu ao adversário a volta de um tema que já estava adormecido entre os paraenses, a divisão do Estado, na intenção de desviar o foco de dois de seus principais aliados: o atual vice Helenilson Pontes, e o futuro vice, Zequinha Marinho, ambos fervorosos defensores da criação dos Estados do Tapajós e Carajpas, respectivamente. Reeleito no último domingo por um pouco mais de três pontos de vantagem – o que representa pouco mais de 137 mil votos -, o tucano ainda não digeriu que quase a metade dos paraenses reprovou a sua administração: 83 dos 144 municípios paraenses deram a vitória ao peemedebista.

Talvez tentando justificar a sua alta reprovação na maioria das regiões, em especial no Oeste, Sul e Sudeste do Estado, o governador vem alardeando nas suas entrevistas pós-reeleição que Helder Barbalho “reacendeu” o sentimento de divisão do Estado, quando na verdade o próprio governador foi quem trouxe o tema à tona novamente durante toda a campanha.

CAMPANHA SUJA

Nos dois turnos, Simão Jatene e seus partidários usaram de expedientes sórdidos para atribuir a Helder Barbalho e a seus aliados a defesa de um eventual plebiscito para dividir o Estado, quando todos sabem que tal decisão não cabe a governadores, mas sim a partir de decisão do Congresso Nacional. Centenas de milhares de panfletos apócrifos foram espalhados pelo Estado, sobretudo na Grande Belém, criando um alarmismo para tentar tirar votos do peemedebista.

Na noite da quarta-feira da semana passada, foram apreendidos impressos com informações levianas e difamatórias contra a imagem de Helder Barbalho. A apreensão ocorreu na área próxima à Estação das Docas. O investimento da campanha de Simão Jatene para desgastar a imagem do peemedebista era tanto que foram produzidos materiais apócrifos específicos a eleitores de cada município. Em Benevides, uma mulher distribuiu material com mentiras e ofensas a Helder Barbalho.

Na mesma quarta, pela manhã, outros panfletos foram distribuídos no centro de Belém e no estacionamento de um shopping na BR-316, conforme denunciado ao DIÁRIO por pessoas que receberam esses papéis. Foram produzidos para os eleitores de Ananindeua, todos apócrifos e com ofensas a Helder em uma campanha difamatória poucas vezes vista na história recente do Pará.

SEPARATISTAS DE CARTEIRINHA

Simão Jatene só não disse em seu material de campanha que dois de seus principais aliados, o vice-governador e candidato derrotado ao senado, Helenilson Pontes (PSD), e o deputado federal eleito vice-governador na sua próxima gestão, Zequinha Marinho (PSC), foram justamente os dois dos principais articuladores da tentativa mais recente de reacender a possibilidade de divisão do Estado do Pará.

Ainda em 2005, o novo vice-governador eleito de Jatene já era um ardoroso defensor da divisão do Estado do Pará. No dia 28 de março de 2005, o próprio jornal O Liberal, veículo da campanha de Jatene e Zequinha, publicou notícia com o título: “Bancada do Pará rejeita Separatismo”. Na abertura da matéria, o jornal informava: “Dos 20 parlamentares que compõem a representação do Estado no Congresso, apenas três deputados são favoráveis ao retalhamento do território paraense. Dos 17 deputados federais e três senadores que compõem a bancada paraense, apenas três parlamentares se mostraram favoráveis à criação dos novos Estados: Asdrúbal Bentes (PMDB), Zequinha Marinho (PSC) e Zé Lima (PP)”.

Já o atual vice-governador do Estado, Helenilson Pontes, após votar no plebiscito sobre a divisão do Estado num colégio em Santarém, no dia 11/12/2011, confessou ao DIÁRIO: “Votei, sim, pela criação do Estado do Tapajós”. Pontes justificou o voto explicando que a aspiração do povo do oeste paraense é uma “demanda histórica e cultural de 150 anos”

(Diário do Pará)

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