plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 23°
cotação atual R$


home
NOTÍCIAS PARÁ

No Tapanã, o retrato é de total abandono

A movimentação era intensa durante à tarde de ontem no Cemitério Municipal do Tapanã, em Belém. Uma data instituída para homenagear os entes queridos que se foram, entretanto, foi marcada pela indignação, revolta e tristeza, mas por outro motivo: a si

twitter Google News

A movimentação era intensa durante à tarde de ontem no Cemitério Municipal do Tapanã, em Belém. Uma data instituída para homenagear os entes queridos que se foram, entretanto, foi marcada pela indignação, revolta e tristeza, mas por outro motivo: a situação de total abandono presenciada por todos que estiveram ali. O momento foi oportuno para as pessoas que ofereciam serviços como de capinação, limpeza e pintura das sepulturas a preços que variavam entre R$ 5 a R$ 10.

Era possível observar até crianças, adolescentes e idosos fazendo o trabalho braçal na tentativa de amenizar o lamentável cenário de descaso no qual o cemitério se encontra. Com o mato muito alto, sem placas para identificar as quadras, além de sepulturas sem identificação, muitas pessoas sequer conseguiram encontrar os locais onde os familiares foram sepultados.

O abandono do espaço causou revolta ao pintor Manoel Rosário Gomes, 30, que esteve no local pela manhã para visitar os túmulos do pai e do avô. “Todo mundo ficou revoltado e triste porque se fosse um parente de alguém da prefeitura eles teriam limpado. Lá tem uma única torneira que estava sem água, então as pessoas estavam comprando garrafas de água para molhar as sepulturas. O mato está dando na altura do joelho e não é uma coisa cara de se fazer. Só fizeram pintar a calçada com cal e pronto. Isso até eu faço”, reclama.

O carpinteiro Atanael Alves Dias era um dentre as dezenas de pessoas que estavam prestando serviços particulares de limpeza e pintura das sepulturas. “Quando cheguei aqui, às 7h, estava mais feio, mas como tem muita gente fazendo esse serviço, agora até melhorou. Lá para trás tem pessoas tocando fogo no mato que tá muito alto”, explica.

Entre lágrimas, a dona de casa Nilzilene Rodrigues Nascimento 41, disse que voltaria ao local ainda nesta semana para tentar localizar a sepultura do marido enterrado naquele cemitério há quatro anos. “A sepultura do meu esposo fica lá para trás e não consegui achar porque tem muito mato, em toda parte. Até a cruz que meu filho colocou lá arrancaram. Chorei muito, é uma tristeza. É uma vergonha!”, lamenta.

Com um ramo de flores em uma das mãos, a estudante Jéssica Yasmin Quadros, 17, contou que vai ao cemitério mensalmente para visitar os túmulos do bisavô e de outros familiares sepultados no local. “Fizemos nossas homenagens com flores e velas e mandamos limpar. Sempre viemos aqui e falta muita manutenção, principalmente limpeza e segurança. A gente traz flores, coroas e os próprios funcionários tiram”, afirma.

A falta de cuidados com o cemitério também deixou a dona de casa Leudes Cruz, 47, indignada. “Vim para visitar as sepulturas de dois irmãos, mas o cemitério está horrível. Era para estar limpinho para o dia de hoje. Ninguém pode acender uma vela porque incendeia o mato. Olha só como está de lixo. Isso vai ficar assim mesmo. O cemitério é público, então os governantes têm que zelar. A gente tem que manter as sepulturas, mas o resto é com eles. Há quatro anos venho aqui e não era assim. Agora está tudo bagunçado. A gente vem triste pela perda e ainda encontra essa calamidade”, declara.

Se por um lado sobraram reclamações sobre o estado de conservação do espaço público. Por outro lado, os comerciantes que levaram vendas para a frente do local comemoraram o faturamento extra. “Estou aqui desde às 8h da manhã. O movimento está muito bom. Já deu para faturar bastante”, disse o ambulante, Nildo Carneiro de Souza, 21, que estava comercializando água mineral no local.

A proprietária de ponto de venda de flores e velas que funciona em frente ao local também não teve do que reclamar. “O movimento está tudo de bom. Estamos desde ontem (1º) de manhã, ficamos o dia e a noite toda e hoje só vamos parar aqui quando o cemitério fechar”, comemora a autônoma Flávia Valéria Muniz, 22.

A reportagem solicitou esclarecimentos sobre os problemas verificados no cemitério. Porém, até o fechamento desta edição, não houve retorno da assessoria da Prefeitura de Belém.

(Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Notícias Pará

    Leia mais notícias de Notícias Pará. Clique aqui!