O clima de insegurança que tomou conta de Belém chegou ao setor comercial da cidade que preferiu fechar as portas mais cedo. Com medo da violência, a maioria dos lojistas e comerciantes optou por encerrar o expediente entre 16h30 e 17h.
No início da noite de ontem, poucas lojas eram vistas funcionando. Mesmo as que optaram em seguir o horário normal tiveram pouco trabalho devido ao movimento fraco de clientes. “O movimento foi bom de manhã, mas à tarde os clientes sumiram”, disse a atendente Maria Adélia. No Ver-o-Peso o cenário não foi diferente.
A feira, que costuma ter um movimento intenso no período noturno, ontem estava praticamente vazia. A Feira do Açaí, ponto turístico da cidade, estava completamente vazia. Poucos feirantes arriscaram trabalhar até mais tarde. A vendedora de comidas da feira, Antônia Conceição, informou que os feirantes conversaram entre si e decidiram ir embora antes do anoitecer. “O pessoal ficou com medo que acontecesse alguma violência na feira e decidiu ir embora antes das 18h”.
Pela manhã, as ruas do comércio também tiveram uma movimentação reduzida. Na rua Santo Antônio com a Presidente Vargas, Ana Carla Assunção tinha um compromisso agendado em uma empresa e não poderia faltar. Ela estava ciente sobre a onda de terror que ocorreu em alguns bairros da cidade. “Eu tenho que levar meus documentos para meu novo emprego e é hora agendada, até chegaram a me alertar que a cidade estava uma confusão, mas tive que vir, né? Agora é só voltar para casa na proteção de Deus”, disse.
Para vendedora de artigos femininos Márcia Lobato que transitava pela rua 28 de setembro, a sensação de insegurança aumentou mais quando tomou conhecimento do que estava ocorrendo. “Eu recebi várias fotos e vídeos no Whatsapp, todo mundo falando o que estava acontecendo e uns pedindo para ninguém sair de casa. Mas eu não ia deixar de vir resolver meus problemas aqui”.
(Diário do Pará)
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