Várias pessoas, na maioria idosos, grávidas e mães com crianças de colo, que formavam a fila na porta da Cohab na última sexta chegaram ao local ainda no dia anterior, por volta das 15h e 19h para garantir o atendimento na manhã do dia seguinte. A dona de casa de 55 anos, Maria Alice, chegou por volta das 15h de quinta-feira e foi a primeira da fila: dormiu sentada na calçada da Cohab. “Vim porque às vezes dizem que vão atender e não atendem. É a necessidade que faz a gente passar por isso, se eu não precisasse, não estaria aqui”, disse.
Ainda na madrugada de quinta para sexta, segundo informações, por volta das 4h, a fila foi dividida. Uma parte foi separada aos que iam dar entrada na inscrição. A outra fila foi designada para pessoas já cadastradas, que iriam apresentar os documentos exigidos. No entanto, com a troca de turno dos seguranças, as informações se misturaram e deixaram as pessoas em dúvida e exaltadas.
“É uma falta de organização, já dividiram e disseram que a gente aqui ia entrar primeiro, então eu não vou deixar ninguém furar a fila. Estou aqui desde às 19h de ontem (quinta-feira) e hoje vou faltar no serviço. Agora vem o porteiro dizer que é tudo ao contrário, é muita falta de organização”, disse o padeiro Jorge Luiz Celino.
Às 8h , um funcionário da Cohab começou a distribuir as senhas de atendimento para o programa. A fila dobrava a avenida João Paulo II. Várias pessoas cercaram o funcionário cobrando por justificativas e após pressão, ele garantiu que todas as pessoas que estivessem nas filas seriam atendidas no mesmo dia. Mesmo assim, não foi o suficiente para acalmar Lorena Barbosa que estava com a neta de colo desde às 5h30 aguardando atendimento na fila errada.
“Isso é um absurdo, não tem prioridade aqui, tem idoso no sol, em pé há horas, eu estou com uma criança de colo. Atender todo mundo vocês vão, mas até que horas vamos ficar aqui?”, questionou revoltada Lorena ao funcionário. Depois da pressão, as pessoas foram colocadas para dentro da sede.
(Diário do Pará)
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