Apesar das formas de transmissão já fazerem parte da consciência de muitos dos moradores, basta uma rápida volta pelas ruas de Belém para encontrar possíveis criadouros do mosquito da dengue.
Sinalizada pelo Ministério da Saúde como uma das dez capitais brasileiras que apresentam situação de alerta para a doença, Belém continua dando espaço para a dengue e já tem três distritos administrativos em condição de risco para a ocorrência de epidemia de dengue.
Jogados na beira do canal da travessa Humaitá com a avenida Visconde de Inhaúma, os pneus velhos são o recipiente ideal para o depósito da larva do mosquito aedes Aegypti, transmissor da dengue.
A forma de proliferação continua presente em bairros não apenas da periferia de Belém, mas também nos mais centrais.
“Eu acredito que o pessoal tá relaxando muito com o lixo. A doença já não tá tão grave como já foi e o pessoal acabou relaxando por conta disso”, acredita o auxiliar administrativo Vitor Paulo, morador do entorno.
“Todo mundo sabe que esse monte de pneu pode dar mosquito da dengue, principalmente quando aumenta o período de chuva. A gente fica preocupado ainda mais com essa febre chikungunya (transmitida pelo mesmo mosquito da dengue), mas o pessoal continua jogando lixo”.
LIXO
Formado por objetos que podem proporcionar o acúmulo de água parada e a consequente proliferação do mosquito, o amontoado de lixo localizado na divisa do bairro da Pedreira com o bairro do Marco é representativo, se considerado que o bairro integra um dos distritos administrativos que são apontados como em risco para a dengue pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesma). Até outubro deste ano, a capital paraense já teve 258 casos confirmados.
Segundo a diretora do Departamento de Vigilância em Saúde da secretaria, Orliuda Bezerra, todos os distritos administrativos de Belém estão em alerta para a dengue, porém, os Distritos Administrativos de Mosqueiro, de Belém e do Bengui estão em condição ainda pior.
“Todos os distritos estão em alerta, mas o Dabel, Daben e o Damos estão em risco”, afirma.
“O nosso clima ajuda a proliferação do mosquito porque temos chuvas diárias. Se tiver uma tampinha de refrigerante com água na rua, o mosquito já pode se proliferar”.
Também incluído no Distrito Administrativo de Belém (Dabel), o bairro da Cidade Velha também exibe acúmulo de lixo em algumas ruas. Na esquina da rua Triunvirato com a travessa de Breves, o lixo é formado por tampas de garrafas, televisões, garrafas, objetos que proporcionam acúmulo de água.
Com a informação de que a larva do mosquito da dengue pode permanecer no recipiente por até 420 dias sem eclodir – possibilitando que mesmo bastante tempo depois da chuva possa haver a transformação do mosquito -, o lixo acumulado em ruas e nas casas ainda é o principal alvo no combate à doença.
“A gente tenta fazer a nossa parte não deixando água acumulada, mas na rua tem tudo isso de lixo acumulado...”, revela o segurança Claysson Gonçalves. “A gente fica preocupado principalmente porque tem criança pequena. Eu não sabia que a Cidade Velha faz parte desse grupo que tá em risco”.
(Diário do Pará)
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