As consequências danosas da farra eleitoral com utilização do programa Cheque Moradia em benefício da reeleição do governador Simão Jatene continuam.
Filas e mais filas continuam se formando diariamente na Companhia de Habitação do Pará (Cohab) de pessoas que tiveram a promessa de acessar aos recursos do programa e que agora vão cobrar o prometido. Nem todos conseguem. Muitos ficam sabendo que o benefício chegou a quem não precisa e quem necessita realmente construir ou reformar sua casa fica a ver navios.A assessoria da companhia nega, mas a verdade é que com o fim das eleições o governo do Estado suspendeu o cadastramento de beneficiários para o Cheque Moradia.
A interrupção ocorreu menos de 15 dias do final do segundo turno. Foi o resultado do esquema de captação dos votos da população mais carente nos meses que antecederam a eleição em benefício de Jatene, fazendo com que o programa extrapolasse todas as metas e verbas do programa.
A estimativa é que o governo do Estado tenha emitido - entre concessões e cadastramento - mais de 30 mil Cheques moradia apenas em outubro, mês da eleição, num uso escancarado e explícito de um programa social do Estado como instrumento de compra de votos.
O uso do benefício foi o maior caso de corrupção eleitoral já visto na história das eleições no Pará. O Ministério Público Eleitoral só se espertou para a farra 48 horas antes do segundo turno.
Durante a manhã de ontem, centenas de beneficiários chegavam à sede da companhia para tentar formalizar a adesão ao benefício. Pouco depois das 6h, duas filas já estavam formadas ao redor do prédio: a que estava sentido a João Paulo II era formada por beneficiários que iam conversar com os assistentes sociais, para uma entrevista de avaliação, que daria direito a concessão, de acordo com o laudo da profissional.
A outra, no sentido contrário, bem maior, era para efetivar o cadastro inicial.Uma senhora identificada apenas como Rosa e que mora no bairro da Pratinha chegou às 7h para dar entrada na segunda vez no benefício, já que no início do ano fez a inscrição que não foi validada.
“No início de 2014, eu dei entrada em um no Cheque Moradia, mas até hoje não saiu nada. Na semana passada eu estive aqui, e eles disseram que eu não estava no sistema, e que meu cadastro não foi válido. Hoje (ontem), trouxe todos os meus documentos para fazer um novo cadastro, como me orientou o funcionário”.
Rosa ainda explicou que perdeu a oportunidade de fazer o cadastro durante o período de campanha eleitoral. Já que conheceu diversas pessoas que conseguiram receber o Cheque e hoje estão reformando suas residências.
“Perdi a oportunidade de fazer a inscrição durante as eleições. Muita gente de perto da minha casa já recebeu, mesmo sem nem precisar. Eles têm casa e até carro”, lamentou.
Ação pedia suspensão da distribuiçãoNo dia 24/10, o MPE propôs ação cautelar preparatória de ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) contra o então recandidato Simão Robinson de Oliveira Jatene; José Cruz Marinho, candidato na chapa a vice-governador; João Hugo Barral, presidente da Companhia de Habitação do Estado do Pará (Cohab); Cláudia Zaidan, diretora da Cohab e Sônia Massoud coordenadora do programa Cheque Moradia junto a lideranças comunitárias dos bairros de Belém, solicitando liminarmente a suspensão da distribuição e pagamento do Cheque Moradia até o dia 29/10 para resguardar a isonomia e equilíbrio do pleito.
Só que já era tarde e não havia mais nada a se fazer. O processo eleitoral já estava comprometido.Como não havia mais orçamento para o programa o governo do Estado usou a estratégia de apenas cadastrar as pessoas, gerando uma expectativa futura nos eleitores: se votassem em Simão Jatene receberiam integralmente o benefício, o que agora, como se previa, não ocorrerá.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar