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Doença de Chagas assusta população no Tenoné

O bairro do Tenoné, em Belém, registrou diversos casos de contaminação por doença de Chagas, nas últimas semanas. As infecções têm assustado a população do local, segundo relato dos moradores, mudando a rotina de quem sempre consumiu um dos mais tradicion

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O bairro do Tenoné, em Belém, registrou diversos casos de contaminação por doença de Chagas, nas últimas semanas. As infecções têm assustado a população do local, segundo relato dos moradores, mudando a rotina de quem sempre consumiu um dos mais tradicionais produtos paraenses.

Na casa de Ronaldo Carvalho, 35 anos, morador do Tenoné, cinco pessoas foram diagnosticadas com a doença. A mãe de Ronaldo, Maria Raimunda, de 63 anos, está internada no Hospital Saúde da Mulher para ser medicada e tratada.

“Há um mês, minha mãe começou a sentir os sintomas. Ela teve febre forte e pensamos que era virose. Fomos a vários hospitais que também disseram que era virose. Depois de quase uma semana assim, uma infectologista disse que ela deveria procurar o Evandro Chagas. Foi quando fizemos o exame e foi diagnosticada a doença”, conta Ronaldo.

Ainda segundo Ronaldo, a família dele sempre fez o consumo do açaí em um ponto conhecido do bairro, mas a queda na qualidade do açaí no local fez com que os consumidores procurassem uma loja perto do bairro do Maguari. Após o consumo no novo ponto, os sintomas da doença começaram a aparecer.

“Só olhamos para a espessura do açaí e não a procedência. Esquecemos de ver como era tratado o produto. Temos um conhecido que também consumiu açaí nesse mesmo lugar, perto do Maguari, e depois a esposa dele também começou a apresentar os sintomas”, comentou Ronaldo Carvalho.

Outra idosa que foi diagnosticada com doença de Chagas, no bairro do Tenoné, foi é Laudia Borges, de 77 anos. A filha e o genro dela também foram contaminados após consumir açaí em uma festa de aniversário, no dia 04 de novembro.

Laudia sofreu, por diversos dias, dores pelo corpo e tonturas até ser diagnosticada com a doença de Chagas. Apesar de ser medicada há dois dias, a enferma ainda sente os efeitos da infecção. “Fiquei com uma dor nos ossos, na perna. Uma dor de cabeça que nada fazia passar. Tudo que eu comia, vomitava depois vomitava. Agora finalmente está melhorando”, afirmou a idosa.

Segundo Laudia, os boatos no bairro são que aproximadamente 15 pessoas estariam com a doença. “Já ouvimos falar de uns 14 casos dessa doença. Tem muita gente por aí que está passando mal”, comentou.

Com tantos novos casos, o clima é de medo e de desinformação no bairro, de acordo com um morador que não quis se identificar. “Não sabemos como essa doença é transmitida. A vizinha do da minha casa está infectada, toda família dela também. Ficamos com medo dessa doença. Não sabemos se essa doença pode passar para o pessoal daqui de casa”, confessou o morador.

Após décadas de consumo de açaí, Laudia afirma com convicção que não tem mais vontade de tomar a tradicional bebida paraense. “Sempre gostei do açaí. Mas hoje em dia ninguém sabe quando ele é bom ou quando não presta. Dessa vez, ele morreu pra mim. Eu vou parar de tomar açaí”, disse Laudia.

Laudia Borges, diagnosticada com doença de Chagas, conversa com agentes da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma)

(DOL)

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