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IEC esclarece sobre a doença de Chagas

Um mal grave que preocupa e atinge grande parte da população paraense, a doença de Chagas é uma realidade todo o Estado, incluindo na capital paraense. No bairro do Tenoné, por exemplo, diversos casos da doença foram diagnosticados nas últimas semanas. 

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Um mal grave que preocupa e atinge grande parte da população paraense, a doença de Chagas é uma realidade todo o Estado, incluindo na capital paraense. No bairro do Tenoné, por exemplo, diversos casos da doença foram diagnosticados nas últimas semanas.

Para esclarecer as dúvidas da população sobre riscos, contágios e prevenção, o Dr. Aldo Valente, coordenador do Laboratório de Doença de Chagas do Instituto Evandro Chagas, referência no tratamento da doença, concedeu uma entrevista ao DOL. Confira:

Como é feito o exame para diagnosticar a doença de Chagas?

Além do exame clínico, os exames laboratoriais é que definem o caso agudo: que compreendem os exames parasitológicos e os exames sorológicos.

Qual local a população deve procurar?

O Instituto Evandro Chagas Campus de Ananindeua situado na Rodovia BR-316 km 7 s/n - Levilândia - Ananindeua / Pará / Brasil em frente a faculdade FAMAZ. As pessoas devem procurar o Serviço de Atendimento Médico que depois encaminhará o material coletado para o Laboratório de Doença de Chagas.

Em quanto tempo um possível infectado tem o diagnóstico?

Nos casos agudos o diagnóstico é possível ser dado no máximo em 48 horas, salvo algum problema de natureza técnica.

Esse exame é gratuito?

Todos os exames, avaliação clínica, medicamento e acompanhamento do tratamento são completamente gratuitos.

Qual horário é realizado o atendimento?

Os interessados devem procurar o IEC pela manhã para que haja a possibilidade de envio do material de imediato para processamento dos exames laboratoriais.

Ainda existe desinformação sobre a forma de contágio da doença. Como ocorre a transmissão? Existem números atuais sobre os contágios na Região Metropolitana de Belém?

Sim, existe muita desinformação. A começar pela crença que a doença não pode ser transmitida pelo açaí. Ela pode sim e o governo do Estado e várias instituições têm trabalhado juntas para promover as boas práticas na manipulação do produto e afastar a possibilidade de transmissão pelo açaí.

O que estamos vendo é que os casos que ocorriam nos bairros centrais de Belém diminuíram muito pela ação da Vigilância Sanitária e pelo treinamento recebido pelos batedores. Os casos agora estão migrando para a periferia de Belém e pelos interiores do nordeste do Pará. Até novembro, somente o Lab-Chagas do IEC confirmou o diagnóstico de 64 casos distribuídos nos municípios de Belém, Abaetetuba, Barcarena, Muaná, Acará, Curralinho, Tomé Açu, Ponta de Pedras, Moju, São Domingos do Capim, São Sebastião da Boa Vista, Limoeiro do Ajuru, e Capanema. Existe ainda a casuística feita pela SESPA que não está contabilizada nesse número.

Como a população pode se prevenir? Existe alguma recomendação? O processo de refrigeração do açaí elimina o agente infeccioso?

A provável forma de contaminação deste surto do Tenoné foi através de açaí contaminado. A SESPA, SESMA, IEC, SEBRAE, Ministério Público, além de outras instituições, têm incentivado a prática de medidas de higiene mediante o protocolo do branqueamento, que tem mostrado boa eficiência na eliminação do Trypanosoma cruzi, agente causador da doença de Chagas. Contudo, nem todos os batedores de açaí principalmente nos bairros da periferia de Belém têm adotado estas boas práticas de higiene, daí a ocorrência destes casos.

As autoridades de saúde pública estão fazendo sua parte, mas a população também deve fazer a sua. A vigilância sanitária é um dever do cidadão, ele deve denunciar os batedores que não têm licenciamento, que trabalham em condições precárias, não obedecem às boas práticas na manipulação de alimento como o açaí. Desconfie sempre de produtos muito baratos. O barato sai caro.

(DOL)

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