Estudantes estão há cerca de um ano sem professor de matemática, na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Augusto Montenegro, localizada no bairro do Telegráfo, em Belém. A grande preocupação dos alunos é que eles cursam o terceiro ano do Ensino Médio e não estão preparados para fazer provas nacionais ou vestibulares nas universidades do Estado.
Segundo eles, ao procurar a direção os estudantes foram informados, inicialmente, que a falta de professores seria resolvida com a contratação de um substituto e eles teriam que fazer todas as quatro avaliações da disciplina no final do ano, mas isso não ocorreu. Em seguida, os alunos ouviram que, como não houve contratações de outro professor, eles cursariam a disciplina no modo de dependência em 2015.
A estudante Priscila Sobrinho, 24, contou que trabalha durante o dia e já tem outra programação para o ano que vem.
“Nós não aceitamos pagar pelo erro da direção ou de quem quer que seja. Eu trabalho durante o dia todo e estudo à noite. Estamos no último ano, lutando para terminar e fazer outras coisas no ano que vem. Não aceitamos ficar em dependência”, disse.
DIFICULDADES
Segundo informações de estudantes, o turno da noite é composto de três turmas que possuem um número médio de 15 alunos por sala. Sem professor na sala de aula, as dificuldades aumentam e os alunos são obrigados a recorrer a cursinhos particulares. “Muitos dos meus colegas fazem isso porque não encontram apoio da escola”, contou Felipe Gomes, 20.
“No início do ano, a professora apareceu, mas ela teve um problema no pé e nunca mais apareceu e o pessoal da direção disse que não podiam fazer nada e nem contratar outro professor porque ela é concursada. Ainda disseram assim mesmo: ‘vai acabar o ano e os alunos vão continuar sem professor de matemática’, contou.
A falta de manutenção e de reforma na escola são outros pontos criticados pelos alunos. “A nossa sala parece uma piscina quando chove. As fiações ficam à mostra e o ventilador está quase para cair. Tem infiltração por toda a parte e há seis meses a sala ficou sem lâmpadas.
Os professores davam um jeito e davam aula no escuro mesmo”, descreveu Priscila Sobrinho. A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), mas até o fechamento desta edição não obteve retorno.
(Diário do Pará)
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