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População paraense convive com o medo

Atendendo aos clientes no depósito de bebidas que mantém no bairro da Cidade Velha, Socorro Macedo foi surpreendida na última sexta-feira por homens armados que, sem qualquer acanhamento, anunciaram o assalto. Com o negócio iniciado há apenas seis meses n

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Atendendo aos clientes no depósito de bebidas que mantém no bairro da Cidade Velha, Socorro Macedo foi surpreendida na última sexta-feira por homens armados que, sem qualquer acanhamento, anunciaram o assalto. Com o negócio iniciado há apenas seis meses na rua Triunvirato, a comerciante já vivenciou a realidade de insegurança que ronda Belém não apenas nos bairros periféricos, mas também nos bairros mais centrais. “A situação tá horrível em toda a cidade”.

Com o depósito cercado por grades, a rotina da comerciante teve de ser alterada desde o assalto sofrido por volta de 21h. Com um prejuízo de cerca de R$1.000 entre objetos e dinheiro levado pelos assaltantes, o comércio não apenas foi obrigado a fechar mais cedo, como permanece com as grades cerradas na maior parte do dia. “Agora a gente tá tendo que fechar cedo porque não tem como ficar até mais tarde. A polícia às vezes nem passa por aqui mais”, reclama, confirmando que vive sobressaltada pela falta de segurança no bairro. “Do jeito que a gente vai tá muito complicado. A gente já não tem segurança pra mais nada”.

Ainda no bairro que é um dos mais tradicionais de Belém, o medo maior do taxista Benjamim Leitão é o de ser vítima de algum assaltante camuflado de cliente. Na profissão há mais de dez anos, a tranquilidade já não faz mais parte do dia a dia dos taxistas. “A gente sai de casa e não sabe se volta”, anuncia de pronto. “De repente pode entrar uma pessoa mal intencionada no táxi e a gente não tem como saber. Não tem uma placa na cara das pessoas dizendo quem é bandido ou não”.

“ASSALTO DIRETO”

Acostumado a trabalhar em um ponto de táxi localizado na Rua de Óbidos, ele é uma das poucas pessoas que ainda têm a sorte de nunca ter sofrido um assalto ou roubo, condição que não diminui a preocupação, porém. “Aqui tem assalto direto. De vez em quando a gente escuta as notícias de que assaltaram mais um aqui por perto”, conta, lembrando que o último assalto nas redondezas que tomou conhecimento aconteceu há cerca de quatro dias. “Essa farmácia que tem aqui na frente mesmo de vez em quando é assaltada. Tem muito assalto aí mesmo. Como que a pessoa se sente seguro assim?”.

Também dona de um comércio em outro bairro central de Belém, no Reduto, a comerciante Vera Carvalho guarda na memória o desespero sentido diante de uma pessoa armada e má intencionada. Sem que os boatos de assaltos a vizinhos e conhecidos sejam os únicos motivos de alerta, infelizmente, ela mesma já foi vítima da violência desenfreada. “Eu mesma já fui assaltada aqui. É uma sensação horrível”, comenta, sem esconder o incômodo em dar detalhes sobre o dia. “A cidade toda não tem nada de segurança. Aqui tem que ficar na grade direto porque assalto é toda hora”.

Mesmo que a pequena venda de verduras não ostente objetos de grande valor, qualquer movimento estranho na travessa Rui Barbosa já é motivo de alerta. “Tem que ter atenção o tempo todo. Não dá pra se sentir seguro”, recomenda. “Como todo mundo, quando a gente sai de casa ou abre a porta pra alguém já tem que andar olhando pros lados, atenta. É muito assalto mesmo”.

Sem que a grande quantidade de ocorrências se restrinja aos relatos da população, os próprios dados do Relatório de Registros de Ocorrências Policiais do Estado, fornecido pelo Sindicato dos Policiais Civis do Pará, já dão a dimensão da violência no Pará. Apenas no ano de 2014, de janeiro a 28 de outubro, 57.874 roubos e 50.293 furtos já foram registrados em todo o Estado. Números que já se aproximam dos registrados durante todo o ano de 2013, quando cerca de 67 mil roubos e 61 mil furtos foram observados.

(Diário do Pará)

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