Na última quinta-feira (13), o Sindicato dos Servidores da Santa Casa do Estado do Pará, protocolou junto ao Ministério Público Federal, um dossiê de denúncias feitas pelos servidores que atuam no hospital da Santa Casa de Misericórdia sobre as péssimas condições que o hospital estaria oferecendo aos servidores, pacientes e usuários.
Os relatos que também chegaram ao DIÁRIO dizem respeito a situações básicas que vão desde o péssimo atendimento de funcionários terceirizados, falta de água, carros que realizam a coleta de leite humano sucateados e até linhas telefônicas que recebem os pedidos de doação de leite cortadas.
De acordo com Flávio Roberto Costa, diretor do Sindicato, há um processo no MPF contra o Governo para investigar a situação vivida pelos servidores da Santa Casa. “A problemática na saúde é antiga. É uma calamidade. E isso não acontece somente lá, é em todo o Estado no que concerne à saúde pública”, diz.
Ele relata que a situação é precária, partindo pelo atendimento que hoje não seria feito por servidores estaduais, mas por terceirizados. “O atendimento não é de boa qualidade.
Quando era os funcionários da Santa Casa, havia uma triagem na portaria para encaminhar devidamente o destino dependendo da necessidade. Agora, essas pessoas que estão lá não possuem nenhum tipo de treinamento e desconhecem a área da saúde. São terceirizados e DAS”, reclama.
O representante do Sindicato denuncia que não há água para usuários, pacientes e servidores para realizarem as funções básicas, como o próprio banho e limpeza.
Além disso, “o carro que realiza a coleta de leite humano está sucateado e inadequado para a manutenção desse alimento até o hospital”.
Para piorar, o telefone que recebe as ligações de doadores do leite materno está cortado, dificultando ainda mais o atendimento. “Se antes era complicado, hoje há uma precariedade maior. É vergonhoso para nós enquanto sociedade, ser humano. O prédio é muito bonito por fora, mas não passa de uma propaganda enganosa, porque se a gente puxar a alavanca da porta, possivelmente ela vem junto”, desabafa.
Além disso, outras denúncias graves que o Flávio faz é quanto às distribuidoras de medicamentos, que segundo ele responde a processos de improbidade administrativa de outros estados, e também afirma que a empresa de limpeza terceirizada é de propriedade de uma enfermeira que assim como outras, ao invés de exercer essa função, ocupa cargo administrativo.
O dossiê com essas e outras denúncias foi entregue para dar consistência no processo intermediado pelo Sindicato por meio de uma comissão de servidores estaduais.
Em nota, a Fundação Santa Casa do Pará informa que os carros da Instituição estão sob contrato de manutenção e recebem regularmente o acompanhamento mecânico conforme as necessidades rotineiras.
“O Hospital esclarece ainda que a falta de água foi um fato isolado, que aconteceu após um curto circuito em uma peça que puxa água da cisterna e faz a distribuição ao prédio. Situação que já foi resolvida”, garantiu a nota.
Em relação aos telefones, a fundação informa que as contas estão pagas e a direção desconhece o problema de falta de sinal de telefonia no hospital.
Sobre a empresa terceirizada, que presta serviços de limpeza da área hospitalar, a Santa Casa informa que a mesma venceu um processo licitatório, tendo apresentado documentação de prestação de serviços exigidos em lei, inclusive com a obrigatoriedade de manter cursos para seus servidores para que possam realizar o trabalho da melhor maneira na área interna do hospital.
(Diário do Pará)
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