Subiu para dez o número de casos confirmados pelo Laboratório de Doença de Chagas (Lab-Chagas) do Instituto Evandro Chagas (IEC), no bairro do Tenoné, em Belém. Na última sexta-feira o IEC havia confirmado oito casos. A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) informou que este ano, 88 casos da doença foram registrados em todo o Pará. Já no ano passado, foram detectados 133 e, em 2012, os números chegaram a 156.
O IEC afirma que “é possível que outros casos associados a este surto sejam detectados”. E disse ainda que “as investigações estão sendo realizadas pelo IEC/Lab-Chagas, Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) e Sespa. Entretanto, o instituto tranquiliza a população garantindo que a doença, quando identificada e tratada precocemente, as chances de cura e controle são elevadas.
Na casa da aposentada Maria Raimunda Amaral de Carvalho, 62, no Tenoné, cinco pessoas foram diagnosticadas com a doença: ela, o esposo, o filho e dois netos. Segundo a aposentada que esteve internada durante uma semana em um hospital particular de Belém e recebeu alta no último domingo, os sintomas começaram a surgir depois que a família ingeriu açaí.
SINTOMAS
A aposentada diz que logo depois que ela foi diagnosticada com a doença, o filho, o esposo e os dois netos - de doze e oito anos- também começaram a apresentar os sintomas. Todos foram encaminhados para o IEC e diagnosticados com a enfermidade.
“Só minha nora e minha filha não ficaram doentes. Minha nora não tinha tomado o açaí e minha filha não gosta. Todos nós estamos tomando a medicação cedida pelo Evandro Chagas. Eu fiquei muito mal e precisei ficar internada. Não conseguia nem levantar da cama. Estou melhor, mas ainda inchada”, afirma.
Maria acredita que ficou pior do que os seus familiares devido à baixa resistência. “Teremos que tomar o medicamento durante seis meses e fazer o acompanhamento com infectologista e cardiologista. Meus netos estão sem estudar. Eles andam um pouco e já ficam cansados. Pedi a Deus para que os médicos descobrissem o que tinha para poder me tratar. Já estamos melhor. Fiquei com trauma de açaí, pois tenho certeza que foi a causa. A vigilância sanitária veio aqui hoje (ontem) e minha casa foi toda detetizada”, ressalta.
Outra família daquele mesmo bairro passou por uma situação bem parecida. A idosa Maria Laudia Borges, 77, se viu em uma situação complicada nas últimas semanas. “No dia 4 (de novembro) foi aniversário da minha filha. Então, ela e o esposo me chamaram para tomar açaí com charque na casa deles. No outro dia já amanhecemos nos sentindo mal. Minha filha ficou inchada, o esposo dela teve muito vômito e dor de cabeça e eu tive vômito, tontura, dor de cabeça e dificuldade para andar. Apareceu até uma infecção urinária”, conta.
Os sintomas continuaram com o passar dos dias e a idosa, a filha e o genro só pioravam. Depois de uma outra consulta, os três foram encaminhados para fazer exame no IEC, foi quando descobriram que estavam com a doença. “Na (última) sexta-feira fizemos os exames e atestou. Sabia que a doença existia, mas não que podia pegar do açaí. Sempre ia almoçar açaí com peixe frito no Ver-o-Peso. Agora fiquei com medo. Mas já estou melhor, tomando dois tipos de medicamentos”, afirma.
Moradora do Tenoné a funcionária de um mercadinho, Marlene Silva, 36, acredita que os casos de doença de Chagas deixaram a população do bairro amedrontada em relação ao consumo do açaí, apontado como possível causa do surto. “Muita gente ficou com medo. A minha família é do Marajó, então tomamos açaí todos os dias. Só que agora o cuidado é redobrado e prestamos mais atenção à higiene do local”, diz.
TRANSMISSÃO
Segundo o IEC, a Doença de Chagas Aguda (DCA) é transmitida por insetos triatomíneos conhecidos como “barbeiros”, que no seu intestino abrigam um protozoário denominado Trypanosoma cruzi. Este protozoário, quando eliminado junto com as fezes dos insetos, em contato com a pele pode contaminar o homem.
Outras formas de transmissão seriam a transfusão de sangue e transplantes de órgãos contaminados, pela via congênita e acidentes em laboratórios.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar