Os moradores da ocupação Canaã, que fazem ato em frente ao Tribunal de Justiça do Estado do Pará, na manhã dessa quinta-feira (20), serão recebidas em uma audiência pela desembargadora Elena Farag. A magistrada foi quem deferiu o pedido liminar de reintegração de posse do terreno ocupado.
Segundo uma das líderes comunitárias da ocupação Canaã, Maria Santana, o local já existe há mais de dois anos e sempre foi tratado com descaso pelas autoridades. “Nós moramos lá há mais de dois anos. Há mais de três mil famílias vivendo no terreno. Já nos cadastramos no Ministério da Saúde, fizemos solicitação para vacinação. Somos uma comunidade que já existe. Como a justiça irá desmobilizar tanta gente sem nem ouvir a outra parte?”, questiona Maria.
Para a líder comunitária, o sentimento da comunidade é de revolta e de abandono. “O governo não esta nem aí para o povo. O nosso sentimento é de revolta. A justiça está sendo insensível. A comunidade se sente injustiçada e largada. Nós cremos em Deus, que é muito maior. Temos certeza que essa situação será revertida”, conclui.
HISTÓRICO
Os manifestantes que protestam em frente ao Tribunal de Justiça ocuparam um terreno que pertencia a uma construtora, há dois anos, onde seria erguido um condomínio de luxo. O empreendimento nunca aconteceu e cerca de 300 famílias permaneceram na área, onde construíram residências (algumas de alvenaria) e receberam assistência da prefeitura.
Após solicitação feita pela empresa, o poder judiciário decretou, no ano passado, uma ação de reintegração de posse. No entanto, como as famílias não teriam onde morar, foi determinado que elas ficassem em um terreno próximo ao que era ocupado.
A empresa voltou a questionar na justiça a propriedade do novo terreno e outra reintegração de posse foi determinada pelo judiciário.
REUNIÃO
Segundo informações do TJPA, a desembargadora Elena Farag manteve a decisão do juiz da 1ª Vara de Belém, Raimundo das Chagas, que concedeu liminar para reintegração de posse de um terreno na rodovia Mário Covas, ocupado por famílias. Após reunião com o advogado Telmo Lima Marinho, que defende os interesses das famílias, a magistrada informou que irá analisar o pedido de exceção de suspeição contra o juiz, requerida pelo advogado.
(DOL)
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