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Zenaldo quer usar cheque para comprar votos

Depois do uso escandaloso do programa Cheque Moradia pelo governo do Estado, durante a última campanha eleitoral, em benefício do candidato à reeleição Simão Jatene, o tucano Zenaldo Coutinho parece estar apostando na mesma estratégia para o pleito de 201

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Depois do uso escandaloso do programa Cheque Moradia pelo governo do Estado, durante a última campanha eleitoral, em benefício do candidato à reeleição Simão Jatene, o tucano Zenaldo Coutinho parece estar apostando na mesma estratégia para o pleito de 2016. Criou um projeto semelhante e espera vê-lo aprovado pela Câmara de Vereadores ainda neste ano.

Dessa forma, no período eleitoral, o programa já existirá o que pode garantir sua manutenção segundo a lei eleitoral. A tática é mantê-lo desidratado até o início da campanha, quando a distribuição dos cheques poderá ser turbinada em troca de votos.

Desta vez, escaldada pelo caso Jatene, a oposição pretende criar mecanismos para tentar evitar o uso eleitoreiro do cheque moradia municipal.

“É evidente que há um temor de que o programa tenha essa finalidade (de garantir a reeleição de Coutinho). Isso é jogar com a miséria das pessoas. Tirar proveito”, critica o vereador do Psol, Fernando Carneiro que afirma ainda estar analisando o projeto enviado pelo Executivo à Câmara para tentar se posicionar sobre o assunto.

O projeto será discutido hoje em audiência pública na Câmara Municipal de Belém. O prefeito pediu aprovação em caráter de urgência.

Uma das possibilidades da oposição é a apresentação de emendas que coibiam o uso do cheque moradia como moeda de troca eleitoral.

“Os tucanos que reclamam tanto do Bolsa Família, não veem que no caso do bolsa família federal, por exemplo, há uma coparticipação dos municípios. O programa não é executado direto pelo governo federal como é o Cheque Moradia”, afirma a vereadora Sandra Batista (PC do B).

A vereadora explica que há preocupações com o programa porque o gestor municipal tem uma margem de manobra do Orçamento e poderá remanejar recursos municiais para o Cheque Moradia tal qual vez Jatene que turbinou o programa estadual a partir de agosto deste ano.

“Certamente nós vamos apresentar emendas”, diz a vereadora explicando que, entre elas, poderá estar uma que limite os gastos do programa em ano eleitoral.

Nas eleições ao governo, foram inúmeras as denúncias de uso do Cheque Moradia estadual para atrair votos ao candidato Simão Jatene. Chamou a atenção, por exemplo, processos relâmpagos de dispensa da verificação da real necessidade do beneficiário e a liberação de recursos em prazos de 24 a 48 horas.

No programa estadual, os valores dos Cheques Moradia variam de R$ 2 mil a R$ 14 mil. Nas semanas que antecederam as eleições, a maioria dos benefícios estava em torno de R$ 10 mil.

ELEITORES
No início deste ano, a Companhia de Habitação entrou em contato com dezenas de associações e centros comunitários da Região Metropolitana de Belém para que indicassem os interessados pelo programa.

Muitas dessas entidades não estariam sequer formalmente constituídas, mas foram usadas como espécies de agências para captar possíveis eleitores.

(Diário do Pará)

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