O DIÁRIO poderia começar esta matéria com a história emocionante de uma pessoa que tem HIV. Afinal, hoje é o Dia Mundial da Luta Contra a AIDS. Mas, as mulheres se negam a falar sobre a doença.
A atitude é uma forma de protesto pela falta de assistência médica por parte das autoridades do estado. Somente uma delas, Amélia Garcia, fala sobre a situação. Ela tem 52 anos de vida, sendo 21 deles de luta para sobreviver com o vírus que corre pelo sangue. Coordenadora da Associação de Mulheres VICONVE– Vivenciado, Convivendo e Vencendo a AIDS, Amélia enfatiza as lutas enfrentadas diariamente.
“Somos nós que lutamos para que as coisas melhorem. A gente fica com raiva porque as pessoas estão cada vez mais se infectando com o vírus e o Estado permanece inoperante’’, diz.
As principais reclamações são pela falta de leito e médicos especializados. “A gente procura o poder público para nos ajudar e nada. Tudo por causa de uma coordenação inoperante. Falta leito. As pessoas se descobrem com AIDS e morrem. A classe mais pobre é a que mais sofre. Para conviver com a AIDS tem que ter uma boa alimentação. Tem que investir. Muitos morrem ou não conseguem trabalho’’, ressalta.
Ela e mais seis mulheres, todas com o vírus controlado a base de antirretrovirais, se unem as sextas-feiras na casa de Amélia, onde funciona a Associação, localizada na Rodovia Arthur Bernardes, Passagem Conceição. Juntas produzem trabalhos artesanais como bonecas e decorações de casa.
A princípio a atividade tinha caráter terapêutico. A falta de oportunidade de emprego, outro problema enfrentado por quem tem HIV, fez com que passassem a confeccionar e vender tudo o que é produzido. A Associação existe há 10 anos. Hoje, apenas sete mulheres permanecem e recebem outras que se sintam sozinhas, com baixa autoestima e necessitem de ajuda.
Devido à ação do vírus, existe a perda da massa que dá contorno e preenche o rosto e os glúteos. E como toda mulher, elas querem se sentir sempre bonitas. Para isso é essencial uma cirurgia reparadora. Há mais de um ano elas tentam dialogar para que o Estado ofereça as cirurgias. Até hoje não obtiveram nenhum retorno.
“Falta o metacrilato, que é uma espécie de substância que preenche o lugar. É similar ao botox, que tem o poder de regenerar um determinado lugar do corpo’’, diz Amélia.
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AUXÍLIO
No Pará há 67 Centros de Testagem de Acolhimento(CTA), que realizam diariamente testes gratuitos de HIV, e 21 unidades de Serviço Ambulatorial Especializado para o tratamento terapêutico. A localização de cada CTA e SAE pode ser conferida pelo site http://www.saude.pa.gov.br/aids/
(Diário do Pará)
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