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Dirigentes de ONGs também viajam pelo gabinete

Estranha coincidência é constatar que os principais dirigentes de pelo menos sete Organizações não Governamentais (ONGs) ou fundações sem fins lucrativos que operam emissoras de rádio e recebem dinheiro público do Governo do Estado do Pará já viajaram com

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Estranha coincidência é constatar que os principais dirigentes de pelo menos sete Organizações não Governamentais (ONGs) ou fundações sem fins lucrativos que operam emissoras de rádio e recebem dinheiro público do Governo do Estado do Pará já viajaram com passagens pagas pelo contribuinte graças aos bilhetes aéreos emitidos pelo gabinete do deputado Wladimir Costa, em Brasília.

Murilo dos Santos Ferreira é um dos responsáveis pela Fundação Barcarena de Comunicação e Assistência Social. Ele também foi secretário parlamentar no gabinete de Wlad e fez viagens pela cota parlamentar. Este ano, Murilo fez uma doação oficial à campanha do deputado pelo Solidariedade, no valor de R$ 950,00.

A Fundação Barcarena de Comunicação e Assistência Social, da qual Murilo é membro, atua também no município de Tucuruí, onde mais uma vez funciona uma rádio. Ildefonso Augusto Lima Paes é membro de duas rádios “mantidas” pela Fundação (Barcarena e Tucuruí) e, coincidentemente é irmão de Gabriel Pereira Paes Júnior, que é presidente do Instituto Nossa Senhora de Nazaré de Educação, Esporte e Lazer de Barcarena, que está sendo investigado pela Polícia Federal e alvo de um inquérito criminal que tramita no Supremo Tribunal Federal.

Ildefonso trabalha no gabinete de Wladimir Costa em Brasília onde também está lotada sua mulher, Sebastiana da Silva Paes. O casal também pode viajar, juntos, de graça – na verdade às custas de dinheiro público – para o Rio de Janeiro, para Porto Alegre e para Curitiba.

FUNDAÇÃO

Ildefonso Paes, mesmo não sendo o presidente da Fundação Barcarena de Comunicação, aparece como secretário da instituição nos documentos de concessão da outorga para funcionamento da Rádio Metropolitana FM, com sede em Barcarena e com estúdio auxiliar em Belém, na avenida Nazaré, nº 1.046, entre Generalíssimo Deodoro e Quintino onde, coincidentemente o deputado Wladimir Costa é proprietário de uma sala.

A Fundação Barcarena de Comunicação e Assistência Social também está na mira da Justiça. Infringindo o Código Brasileiro de Telecomunicações, a Rádio Metropolitana FM foi advertida oficialmente por fugir de sua função exclusivamente educativa para fazer programação com 100% de cunho político com ataques ferrenhos aos adversários de Wladimir Costa e elogios à atuação do parlamentar.

A Fundação pode ter recebido do Governo do Estado do Pará mais de R$ 600 mil para execução de “projetos educativos”.

O Ministério das Comunicações também já está com um enorme holofote com a luz vermelha acesa para as outorgas concedidas aos aliados de Wladimir Costa.

Francisco Jorge Ribeiro do Nascimento, Andrei Gustavo Leite Viana de Castro e Antônio Alves da Silva, que aparecem como membros nas organizações não governamentais e fundações que apresentam claras evidências de vínculo com o deputado Wladimir Costa também já foram “premiados” com passagens aéreas emitidas pelo gabinete do parlamentar para viagens por conta do erário.

Andrei já foi ao Rio de Janeiro em pelo menos três datas diferentes. Francisco Nascimento e Antônio Silva já foram, em algumas oportunidades, para Santarém em voos nos quais estavam presentes também, além do chefe de gabinete de Wladimir Costa, James Frederico Medeiros, o próprio parlamentar.

Os nomes de pessoas ligadas às ONGs e fundações que detêm outorga de uso de sistema de radiodifusão no Pará se emalharam tal como teia de aranha, mostrando um grau de parentesco e de comprometimento diretamente ligados ao gabinete do deputado Wladimir Costa.

Toda esta “coincidência” de nomes e ligações já está sendo investigada. Um dossiê com mais de 300 páginas foi entregue ao Ministério Público.

A documentação anexada não deixa dúvidas de que Wladimir Costa montou um lucrativo esquema de uso de entidades sem fins lucrativos que deveriam servir ao cidadão paraense com programas de assistência social, mas que, no entanto, como pode ser comprovado, vem enriquecendo a olhos vivos quem aceitou participar do esquema.

(Diário do Pará)

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