Por meio de ofício dirigido ao presidente da autarquia, Alexandre Tombini, o senador Jader Barbalho fez ontem um vigoroso protesto contra o esvaziamento do Banco Central (BC) no Estado do Pará e na Região Norte do Brasil.
Jader deixou claro que a região não pode aceitar – e ele particularmente não aceita – que se tente impor à região o fato consumado, de enfraquecimento do Banco Central ou, o que seria ainda mais grave, a extinção pura e simples da regional norte, com sede em Belém. Esta hipótese, destacou o senador, já é cogitada entre servidores da própria instituição.
Jader Barbalho destacou, na correspondência endereçada a Alexandre Tombini, que o esvaziamento da regional do Banco Central em Belém vem se processando desde 1999. O enfraquecimento se dá, conforme frisou, tanto na área de pessoal quanto na estrutura de prestação de serviços.
Hoje, a representação do BC tem um efetivo extremamente reduzido e insuficiente para atender integralmente a demanda. O resultado é a transferência para outras regionais, inclusive Brasília, de atividades cuja execução seriam (e são) de sua competência.
O senador do PMDB destacou que apenas o equivalente a 1,5% dos mais de quatro mil funcionários do Banco Central estão hoje lotados em Belém. Quando se observa, acrescentou, a grandeza da extensão territorial da Região Norte e as distâncias que separam as suas capitais – entre si e também em relação à capital federal –, é impossível não atentar para os riscos acarretados por esse processo de desidratação a que vem sendo submetida a Regional do Banco Central.
O senador Jader Barbalho disse considerar “um enorme equívoco” essa política de enfraquecimento do BC. E não só, completou, pelo evidente desprestígio que ela impinge ao Norte do Brasil, o que já seria lamentável, mas sobretudo em função dos prejuízos que pode acarretar à economia da região. “A perda de densidade institucional soa completamente absurdo, visto tratar-se da única representação da autoridade monetária na Região Norte do país e com jurisdição sobre sete Estados – dois deles, Amazonas e Pará, os maiores do país”, enfatizou o senador.
MOEDA
O líder do PMDB paraense realçou ainda o papel do Banco Central como guardião da moeda e agente regulador do sistema financeiro nacional para apontar a função vital que ele exerce no processo de desenvolvimento econômico do Brasil.
“E se é assim, como abdicar de uma região que, pelos seus imensos estoques de bens naturais – água, minérios, florestas, etc – e pela incalculável riqueza de sua biodiversidade, reúne todos os méritos para condicionar o futuro desenvolvimento do Brasil?, questionou.
Ao solicitar, do presidente do Banco Central, informações sobre os planos de sua diretoria para a Região Norte, Jader Barbalho lançou uma proposta desafiadora. Ao invés de esvaziar e enfraquecer a instituição instituição, disse ele, a direção do BC deveria, isto sim, era ampliar e fortalecer a presença física e institucional do Banco Central na Região Norte. Tal procedimento representaria, na avaliação de Jader, uma saudável ousadia em reconhecimento da importância que a Região Norte já tem e terá cada vez mais no futuro para a economia do país.
(Diário do Pará)
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