<p style=\"text-align: justify;\">O lavrador Raimundo da Silva Laranjeira, 64 anos, afirma que ficou cego depois de ter se submetido a uma cirurgia para catarata em um mutirão realizado pelo Pro Paz, em Tracuateua, município onde mora. Ele contou que estava com uma “carne crescida” - como é popularmente conhecido o pterígio - no olho esquerdo e buscou o serviço de oftalmologia em Tracuateua. Após receber o encaminhamento para se dirigir até Belém, ficou sabendo que estava ocorrendo uma ação contra a catarata através de um mutirão do Pro Paz.</p>
<p style=\"text-align: justify;\">Ao se dirigir até o Pro Paz, Raimundo informa que o oftalmologista disse que ele tinha catarata e que precisava de intervenção cirúrgica imediata. Mesmo preocupado por não precisar fazer exames específicos para o pré-operatório, ele passou pela cirurgia. </p>
<p style=\"text-align: justify;\">O procedimento foi feito nos dois olhos e no mesmo dia, segundo informações de Raimundo. “Eu sou diabético e hipertenso, então fiquei preocupado com o fato de não passar por exames anteriores. E, ao fazer a cirurgia, senti dores durante a aplicação do laser”, lembrou. “Na primeira avaliação, já não estava enxergando, mas a equipe do Pro Paz informou que isso era normal e que depois eu voltaria a enxergar normalmente.</p>
<p style=\"text-align: justify;\">Só na quarta avaliação, que só teve porque continuei sentindo muitas dores, eles admitiram que eu estava cego. Fiquei cego do olho direito.O médico disse que fui atingido por glaucoma e, se eu não fizesse alguma coisa, ia passar para o outro olho. Agora só vejo vultos do lado esquerdo”, relatou. </p>
<p style=\"text-align: justify;\">TRATAMENTO</p>
<p style=\"text-align: justify;\">A cirurgia foi realizada em setembro. Depois da cirurgia, Raimundo informa que começou a se deslocar até a capital na esperança de voltar a enxergar. Informado que o Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza possui tratamento especializado no assunto, recorreu ao hospital. “Fiz uma série de exames para que fosse liberada uma injeção contra glaucoma, mas, no dia que deveria tomar essa injeção, ela estava em falta no hospital”, disse.</p>
<p style=\"text-align: justify;\">Elizângela Souza, 38 anos, nora de Raimundo, é uma das pessoas que o acompanham nas consultas e na compra de medicamentos. “Precisaria refazer os exames todos. Para isso, seriam necessários mais uns seis meses”, contou. </p>
<p style=\"text-align: justify;\">Sem ter como custear o tratamento pelo plano particular, o lavrador, que recebe um benefício equivalente a uma aposentadoria, está endividado. Sem enxergar, não tem como assinar as receitas para comprar medicamentos para hipertensão. “Ele não está conseguindo assinar o nome e as farmácias não aceitam a receita se o nome não estiver igual ao da identidade”, disse a nora.</p>
<p style=\"text-align: justify;\">A família disse que precisa de uma reparação. “Vamos buscar nossos direitos. Não sei ainda se com um advogado ou por meio do Ministério Público, mas queremos uma indenização. O que eu questiono é a forma como tudo foi feito: a falta de cuidado e tudo rápido demais”, afirmou Raimundo.</p>
<p style=\"text-align: justify;\">(Diário do Pará)</p>
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