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Com Jatene, Camargo Corrêa ganha milhões em obras

O Governo do Pará já pagou pelo menos R$ 264,3 milhões à construtora Camargo Corrêa, entre 2004 e o último dia 11 de dezembro, em valores atualizados pelo IPCA-E. Quase 86,5% desses recursos foram pagos nos governos do tucano Simão Jatene. É possível, no

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O Governo do Pará já pagou pelo menos R$ 264,3 milhões à construtora Camargo Corrêa, entre 2004 e o último dia 11 de dezembro, em valores atualizados pelo IPCA-E. Quase 86,5% desses recursos foram pagos nos governos do tucano Simão Jatene. É possível, no entanto, que o valor recebido pela Camargo Corrêa venha a atingir cerca de meio bilhão de reais até o final do terceiro Governo Jatene: só o contrato que ela possui para o prolongamento da avenida João Paulo II, em Belém, tinha um valor inicial de quase R$ 249 milhões, mas já foi aditado em R$ 11,5 milhões. Detalhe: a Camargo Corrêa é acusada de integrar uma organização criminosa que fraudava licitações na Petrobras.

Segundo as investigações da Polícia Federal na operação “Lava Jato”, a Camargo Corrêa e mais sete grandes empreiteiras nacionais formaram uma espécie de “clube”, ou cartel, para obter contratos milionários na Petrobras, através de fraudes licitatórias e pagamento de propinas a funcionários da estatal. Três diretores da Camargo e mais 33 pessoas, na maioria executivos dessas empreiteiras, já foram denunciados à Justiça pelo Ministério Público Federal (MPF) por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa. A Controladoria Geral da União (CGU) abriu procedimento administrativo contra as oito empresas (além da Camargo, a Engevix, Galvão Engenharia, Iesa, Mendes Junior, OAS, Queiroz Galvão e UTC-Constran), o que pode levar, se provadas as acusações, a que sejam declaradas inidôneas e fiquem impedidas de celebrar contratos com o Poder Público.

BOM COM JATENE

Dos R$ 264,3 milhões recebidos pela Camargo Corrêa do Governo do Pará, R$ 86,8 milhões foram pagos neste segundo governo de Simão Jatene; R$ 35,7 milhões entre 2007 e 2010, no governo petista; e R$ 141,7 milhões em 2005 e 2006, no primeiro governo de Jatene. O maior volume de recursos da década foi carreado para os cofres da Camargo no ano eleitoral de 2006: R$ 125,5 milhões. O segundo maior volume foi neste ano eleitoral de 2014: R$ 56,5 milhões, até o último dia 11. Os números são do portal da Transparência estadual e foram atualizados pelo DIÁRIO com base no IPCA-E de setembro deste ano. Buscas no portal, no entanto, não retornam resultados para os anos de 2004 e 2009, indicando que a empresa nada recebeu naqueles dois exercícios.

São pelo menos dois os contratos da Camargo Corrêa com o Governo do Pará. O primeiro é o 005/2005, firmado em 2005 entre o Governo Jatene e o consórcio formado pela Camargo e a construtora Schahin, para a construção dos hospitais regionais de Tailândia, Altamira, Santarém, Breves e Redenção, e do Centro Oncológico Pediátrico do Hospital Ofir Loyola. Passados nove anos, o contrato permanece em vigor, a custa de vários aditivos. O mais recente, de 4 de julho deste ano, foi o 18º. O DIÁRIO ainda não conseguiu localizar o valor inicial desse contrato e o aumento causado pelos aditamentos. Mas acredita-se, com base nos dados do portal da Transparência, que ele já tenha consumido mais de R$ 215 milhões, em valores atualizados.

MAIS A RECEBER

O segundo contrato é o 03/2013, firmado entre a Camargo Corrêa e o Governo Jatene, através do Núcleo de Gerenciamento de Transporte Metropolitano, para o prolongamento da avenida João Paulo II, no trecho entre a Rua Mariano e a avenida Mário Covas. Ele foi publicado em 9 de maio de 2013, com valor de quase R$ 249 milhões e vigência até 31 de outubro de 2014. Mas, em 7 do mês passado, ganhou um aditivo de R$ 11,5 milhões, com vigência até dezembro do ano que vem. A licitação que o embasou foi a Concorrência 02/2013. Por esse contrato, a Camargo já deve ter recebido uns R$ 49 milhões. Ou seja, ela ainda tem mais de R$ 200 milhões para receber.

Camargo Corrêa não é a única ligada a tucanos no Pará.

(Diário do Pará)

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