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População de Belém continua sem BRT

Existe uma fala comum entre os jovens - e até mesmo entre os nem tão jovens assim - que fazem parte da geração da internet: “Se não tem no Google, não existe”, sentenciam à nulidade qualquer termo lançado ao maior buscador de informações da web que não ge

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Existe uma fala comum entre os jovens - e até mesmo entre os nem tão jovens assim - que fazem parte da geração da internet: “Se não tem no Google, não existe”, sentenciam à nulidade qualquer termo lançado ao maior buscador de informações da web que não gere ocorrências. Pois bem: é interessante o que acontece quando se busca as palavras “BRT” e “Belém” juntas no site, já que, como qualquer morador ou visitante da capital paraense sabe, nem é preciso ir ao Google para ver que, realmente, trata-se de uma junção que não rende respostas - embora tenha rendido gastos milionários à administração pública, ao bolso do contribuinte, e uma caotização completa e sem precedentes do tráfego de veículos nas área de acesso e saída da cidade por muitos e muitos meses.

Quando o prefeito Zenaldo Coutinho (PSDB) assumiu a Prefeitura de Belém, em janeiro de 2013, prometendo mundos e fundos em relação à inauguração e funcionamento do sistema Bus Rapid Transit, ou Ônibus de Trânsito Rápido, ou simplesmente BRT, cujas obras de implementação foram iniciadas um ano antes, ainda na gestão do hoje ex-prefeito Duciomar Costa (PTB), parece que ele não entendeu muito bem o conceito do sistema como um todo, e ficou com medo de perguntar para quem entendia como a coisa funciona na realidade. Sim, porque passados quase dois anos do início de sua gestão e mais de R$ 100 milhões gastos - sim, gastos, porque falar ‘investidos’ seria um deboche com a população -, nada do que se tem na prática corresponde a sequer 10% projeto inicial.

ONEROSA NULIDADE

Em tese, a sigla BRT designa um sistema alternativo de transporte coletivo à soluções como metrôs subterrâneos e Veículos Leves Sob Trilhos (VLT) - que embora bastante eficientes, são considerados muito onerosos e de implementação demorada, além de exigir uma determinada estrutura urbana incompatível, por exemplo, com a que Belém apresenta. Utilizando ônibus diferentes dos coletivos comuns, em especial pelo conforto, comodidade e integração a um sistema informatizado e de recebimento e envio de informações em tempo real que controla e mantém a regularidade do tráfego, evitando grandes atrasos e garantindo que o passageiro chegue ao destino final em tempo mínimo e contabilizado, o BRT é a solução de melhor custo-benefício em termos de transporte público de massa.

Não à toa, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal, disponibilizou um volume altíssimo de recursos para as capitais brasileiras que se preparavam para receber a Copa do Mundo de 2014, a fim de que as mesmas investissem nesses sistemas, uma solução rápida e compatível com a demanda, quando bem executada. Existe até um site considerado “oficial” que esmiuça o assunto, o BRT Brasil (www.brtbrasil.org.br), mantido pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), e que utiliza, embaixo do título do sítio, o slogan de “A Evolução das Cidades” - noticiando inclusive experiências muitíssimo bem-sucedidas pela América Latina. Desnecessário é dizer que a evolução não chegou por aqui, e muito menos Belém consta na lista de 14 cidades que oferecem o sistema BRT. Só para se ter uma ideia, Brasília, com seus apenas 54 anos de história, já conta com quase 37 quilômetros de BRT ligando vários eixos da capital federal ao Plano Piloto.

Gasto milionário não trouxe retorno à população.

Há verba em casa, apesar de desvios e inoperância.

COMO É O BRT EM OUTRAS CIDADES DO PAÍS

Rio de Janeiro (RJ)

Transporta mais de nove milhões de clientes por mês e opera com 206 carros entre 101 estações. O Transoeste, em sua primeira, fase conta com 56 quilômetros e deve chegar aos 63 quilômetrosfinais em 2016, a tempo das Olimpíadas, que serão sediadas naquele Estado. Já o Transcarioca já tem cerca de 40 quilômetros de extensão.

Brasília (DF)

Inaugurado em junho deste ano, um trecho de 36,2 quilômetros de BRT no Distrito Federal liga a região administrativa de Santa Maria e do Gama a Brasília, permitindo uma redução no tempo gasto para fazer o percurso com o transporte público de uma hora e meia para 40 minutos. A estimativa é que 272 mil pessoas sejam beneficiadas com o serviço.

No trecho, foram construídas oito estações de embarque com acessibilidade, 22 viadutos e dois terminais. Em 27,4 quilômetros, os ônibus percorrem corredores exclusivos. Os ônibus são articulados, têm ar-condicionado e capacidade para 130 passageiros.

Curitiba (PR)

Pioneira na implantação dos sistemas BRT no início da década de 1970. O projeto foi concebido integrado ao sistema viário e ao uso do solo, como uma das bases do planejamento proposto pelo Plano Diretor de Curitiba. Hoje dois milhões de passageiros utilizam diariamente o Sistema Integrado de Transporte Coletivo, que é composto por 1.980 ônibus, que atendem 395 linhas. Em 2003 foi ampliado com novo corredor com 22 quilômetros de extensão.

FONTE: BRT Brasil

(Diário do Pará)

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