Enquanto isso, Belém provavelmente chegará aos seus 400 anos, em 2016, com um dos engodos mais caros que se tem notícia nas últimas décadas. Com vários adiamentos e uma minimização de implementação do sistema, Coutinho conseguiu, até agora, nada mais do que devolver à avenida Almirante Barroso um corredor que já existia, e que ganhou apenas uma camada de concreto na pista - feito para suportar o peso dos ônibus maiores e mais modernos que estavam previstos para o funcionamento do BRT Belém. Os ônibus especiais nunca chegaram: os veículos que por lá trafegam são os mesmos de antes, com a diferença de que agora eles fazem o percurso BR-Almirante e Almirante-BR de forma expressa, ou seja, sem paradas no caminho.
As estações que abrigariam os passageiros no embarque e desembarque do sistema até chegaram a ser instaladas na Almirante Barroso, mas depois foram retiradas. E a última informação que se tem é de que as cilíndricas e caríssimas estruturas metálicas vindas de Curitiba (PR), que exibe orgulhosamente um dos sistemas mais eficientes e práticos de BRT de todo o país, apodrecem em terrenos abertos, sem qualquer proteção, ao contrário da informação oficial de que as mesmas teriam sido devolvidas ao fabricante.
SEM INTEGRAÇÃO
O sistema de integração entre linhas e o bilhete único, que seriam de grande valia não só para a população como para o alívio de áreas muito sobrecarregadas de tráfego pesado, como, por exemplo, o Centro Histórico de Belém e os próprios corredores de entrada e saída de Belém, também nunca saíram do papel. Interessante dizer também que desde o início do mandato Zenaldo convenientemente - ou não -também deixou de falar de um detalhe importantíssimo do projeto inicial: a continuidade do corredor pela avenida Augusto Montenegro e seu meio -fio de desorganização inenarrável, rumo à entrada do distrito de Icoaraci. Hoje o corredor expresso mal sinalizado, palco de incontáveis acidentes, sendo boa parte deles fatais, começa junto ao terminal rodoviário, em São Brás, e se interrompe no Complexo Viário do Entroncamento - talvez o trecho mais visivelmente modificado e próximo do que previa o projeto de implementação do sistema em Belém. Zenaldo não fala mais nem mesmo sobre a conjugação com o programa Ação Metrópole, que seria o BRT do Governo do Estado criado para interligar a Região Metropolitana.
Levando em consideração que foram gastos cerca de R$ 100 milhões para um percurso inexpressivo de cinco quilômetros e que pouco mais ou nada fizeram para desafogar a situação do trânsito de Belém, fica a questão de quanto Zenaldo pretende gastar para finalizar o projeto - se é que essa é sua pretensão - e de que forma o fará para que não só o Google, mas também a população de Belém atente para a existência de um transporte público de mínima qualidade.
(Diário do Pará)
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