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Turistas ainda são tratados com descaso no Pará

Em Belém pela primeira vez para atender a um compromisso profissional, a ânsia de conhecer o famoso Marajó foi inevitável. Com um dia livre antes do congresso marcado para acontecer na manhã do dia posterior, nos planos do casal Gilmar Mazur e Neusa Santo

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Em Belém pela primeira vez para atender a um compromisso profissional, a ânsia de conhecer o famoso Marajó foi inevitável. Com um dia livre antes do congresso marcado para acontecer na manhã do dia posterior, nos planos do casal Gilmar Mazur e Neusa Santos, nenhuma forma de aproveitar o dia de folga seria melhor do que conhecendo as belezas naturais do arquipélago nacionalmente conhecido. Os problemas iniciaram, porém, com a falta de informação ainda no Terminal Hidroviário de Belém.

Já no navio que faz o transporte do Terminal Hidroviário até o Porto de Camará, localizado no município de Salvaterra, o casal que mora em Curitiba só obteve informações sobre o tempo total e a distância da viagem depois de passada uma hora e por intermédio de outros passageiros. Sem que qualquer folheto com informações sobre os destinos mais procurados do Estado fosse encontrado pelos turistas no terminal por volta das 6h, horário de saída do primeiro navio, o casal nem imaginava que a viagem que estariam iniciando duraria, em média, três horas. “A gente pensou que era rapidinho. Não sabia que para chegar ao Marajó demorava tanto”, comentou Neusa, após ser informada de que, depois do passeio, mais três horas seriam necessárias para retornar à capital.

Sem saber que o único navio de volta a Belém naquele mesmo dia sairia do Porto de Camará às 15h, a preocupação do casal só aumentou diante da necessidade de estar de volta na capital paraense na manhã do dia seguinte. “Não tem um navio que saia às 19h?”, questionava Neusa, na esperança de ter um pouco mais de tempo para conhecer Salvaterra. “A gente vai ter que pegar esse de 15h mesmo então, porque eu tenho que estar em Belém amanhã de manhã para o congresso. Não posso nem pensar em faltar”.

Não bastassem os imprevistos enfrentados no início da viagem, na chegada ao Porto de Camará, a total ausência de auxílio aos turistas por parte da administração pública no local é constatada. Sem que qualquer material informativo seja disponibilizado no porto, após a descida do navio, só o que resta é a incerteza diante da confusão de gente que se apressa para subir em uma das vans que aguardam no local. Para quem nunca teve acesso ao Marajó, a necessidade de complementar a viagem até o centro da cidade por via rodoviária é completamente desconhecida. “Ah, ainda tem que pegar uma van? A gente acha que vai pegar barco e já vai chegar no Marajó”, dizia a turista, ainda confusa sobre tudo o que via à sua frente.

Ainda que a confusão de horários tenha possibilitado que o casal permanecesse no município de Salvaterra apenas por duas horas e meia, período menor do que o que passaram viajando dentro do navio, Gilmar Mazur não esconde o encantamento pelas belezas naturais de parte do Marajó. “Foi muito rápido, mas nós gostamos do lugar. Só não deu muito tempo para a gente almoçar direito porque a van que ia levar a gente de volta para pegar o barco chegou logo”, conta. “É uma pena que não tivesse alguma informação. Se a gente soubesse, tinha programado para ficar pelo menos uns três dias. Mas queremos voltar no Círio”.

TRANSPORTE

Em contato direto com os turistas que chegam ao Porto de Camará, o motorista Francisco Fontenelle não deixa de observar a necessidade de maior atenção ao turismo no local. A qualidade do transporte já é questionada pelos moradores do local desde junho deste ano, quando integrantes do Movimento Acorda Marajó interditaram o local de chegada das balsas no porto por cinco dias, em protesto pelo aumento de 18% no valor do transporte. “A balsa é muito desconfortável. A gente se esforça para dar um transporte melhor para o nosso passageiro, a gente roda em uma van ajeitadinha, mas as cadeiras no navio e na balsa são horríveis”, destaca o motorista. “A pessoa não consegue passar nem 20 minutos direto sentado que já dói a coluna”.

Sem que as condições da viagem tenham melhorado desde o meio do ano, até hoje as cadeiras oferecidas aos passageiros nos navios são de plástico, sem o mínimo de conforto. Conseguindo fazer com que os preços cobrados fossem temporariamente reduzidos na época. Após a manifestação, os moradores continuam sem uma definição.

“Baixaram o preço naquela época, mas ficou em aberto. A gente ainda não sabe como vai ficar”, aponta Francisco. “Não tem concorrência. Só uma empresa faz esse transporte, por isso que fica desse jeito. Tinha que abrir livre concorrência para que a que oferecesse o melhor serviço ganhasse”.

PARATUR

Em nota, a Companhia Paraense de Turismo (Paratur) informou que mantém no Terminal Hidroviário de Belém Luiz Rebelo Neto “uma equipe de quatro funcionários das 8h da manhã até as 20h, horários de abertura e fechamento do local”.

Apesar de não ter sido encontrado pelos turistas por volta de 6h, quando teve saída o navio com destino ao Porto de Camará, a Paratur informou ainda que há um Porto de Informações aos Turistas no Terminal Hidroviário que funciona das 8h às 20h e que “trabalha com catálogo de informações, caderno com dados, endereços e horários de funcionamento dos equipamentos turísticos e especialmente mapas e guias de Belém e do Marajó, para distribuição aos turistas”.

(Diário do Pará)

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