O Brasil conseguiu reduzir o número de pessoas que passam por privação de alimentos. Em 2009, pelo menos 11,2 milhões de brasileiros enfrentavam situação grave de privação de alimentos, incluindo experiência de fome. Em 2013, este número caiu para 7,2 milhões de pessoas, ou 35,7% a menos que a quatro anos.
No Pará, 1,6 milhão de pessoas convive com insegurança alimentar moderada ou grave, a maioria, 715 mil, na faixa etária de 18 a 49 anos. As crianças e adolescentes paraenses de 0 a 17 anos que vivem com privação de alimentos somam
657 mil.
Os dados fazem parte do suplemento da Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílios (Pnad) 2013 sobre Segurança Alimentar, divulgado ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nas zonas rurais, o percentual de famílias em segurança alimentar estagnou - era de 64,8% em 2009 e caiu para 64,7% em 2013, recuo de 0,1 ponto percentual. Nas zonas urbanas, o percentual avançou de 70,7% em 2009 para 79,5% em 2013 - alta de 8,8 pontos percentuais.
PIOR SITUAÇÃO
O Maranhão continua registrando a pior situação de insegurança alimentar, com 60,9% da população sofrendo com privação de alimentos, sendo que 23,7% deste total convivem com situações mais graves, incluindo a fome.
O Pará aparece na quarta pior posição, empatando com a Bahia, onde 37,8% da população sofre com a falta de alimentos suficientes. Deste total, 7,9% dos paraenses sofre com o que se chama de insegurança alimentar grave, que inclui a experiência de fome. No caso da Bahia, estão nesta situação de gravidade 6,6% do total que convive com insegurança alimentar.
O recorte por regiões mostra que houve queda na insegurança nas cinco regiões. No entanto, o Nordeste ainda apresenta a maior taxa de domicílios em situação de insegurança alimentar. Segundo a pesquisa, 38,1% das moradias nordestinas entrevistadas apresentaram algum tipo de restrição alimentar.
A região Norte vem em seguida, com 36,1%. Centro-Oeste registrou 18,2%, Sul, 14,9%, e o Sudeste a menor taxa, 14,5%. Nas regiões Norte e Nordeste, as proporções de domicílios onde algum morador passou pela experiência de fome foram 6,7% e 5,6%, respectivamente. Nas regiões Sudeste e Sul, o índice foi de 1,9%, enquanto na Centro-Oeste, a taxa era de 2,3%.
O estudo abrangeu 65,3 milhões de domicílios do país e foi feito pelo IBGE em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
ESTRATÉGIAS
Pela primeira vez, a Pnad investigou qual a estratégia utilizada pelas famílias em situação de insegurança alimentar para enfrentar a fome. Comprar fiado foi a principal atitude, adotada por 43,3% das famílias pesquisadas, seguida por pedir alimentos emprestados a parentes, vizinhos e/ou amigos (27,8%); deixar de comprar alimentos supérfluos (7,2%); pedir dinheiro emprestado (5,0%); comer menos carnes (3,5%); receber alimentos da comunidade, vizinhos, parentes e amigos (3,3%); prestar pequenos serviços a parentes e amigos em troca de alimentos (2,8%) ou outras atitudes (7,1%).
(Diário do Pará)
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